Entre discursos de progresso e placas de “vende-se”, Abrantes virou um laboratório de crescimento sem bússola. Em nome do desenvolvimento, aprovam-se condomínios e mega projetos em série, mas a pergunta essencial segue ignorada: desenvolvimento para quem e a que custo?
A conta chega e chega todo dia. Chega no engarrafamento interminável da BA-099, a conhecida Estrada do Coco, já sobrecarregada, operando no limite há anos, transformando deslocamentos simples em horas perdidas e qualidade de vida em estatística. As vias de acesso internas são estreitas, sem acostamento, sem ciclovia, sem estacionamento e sinalização; as ruas ficaram pequenas para um bairro que cresce gigante.
Mas os prejuízos não são apenas de conforto são de sobrevivência e de sustento. Quem precisa sair cedo para trabalhar vê o relógio virar inimigo. Profissionais que dependem de cumprir horários, como transporte escolar, convivem diariamente com atrasos inevitáveis e riscos constantes. Em situações de emergência, o cenário é ainda mais grave: ambulâncias e viaturas disputam espaço em um sistema viário travado, onde cada minuto perdido pode significar um desfecho irreversível. A mobilidade comprometida não é só transtorno é impacto direto na economia local, na segurança e na preservação da vida.
Planejar deveria vir antes de construir. Aqui, nunca veio.
Os impactos ambientais são tratados como nota de rodapé, enquanto os sociais sequer entram na pauta. Mais moradores, mais carros, mais pressão e praticamente nenhum investimento proporcional em mobilidade, transporte público, lazer ou equipamentos urbanos. Sem planejamento cresce a população e cresce os problemas.
É urgente falar do óbvio: sem rotas alternativas ligando a região à Via Metropolitana e à Cascalheira, continuaremos reféns de um único corredor viário saturado. Planejamento urbano não é detalhe técnico; é condição básica de dignidade.
E enquanto isso, a travessia a pé da Estrada do Coco segue sendo um ato de risco. A ausência de passarelas, em trechos de grande fluxo de pessoas, transforma o cotidiano em roleta russa; acidentes deixam de ser exceção e passam a ser rotina anunciada. Não é fatalidade. É escolha pública.
Abrantes não é contra o crescimento. É contra crescer sem planejamento, sem cuidado e sem futuro. Porque desenvolvimento de verdade não se mede pelo número de empreendimentos aprovados, mas pela qualidade de vida de quem vive aqui. E eu e você, o que temos feito? Até quando vamos naturalizar o caos, o atraso, o risco? Precisamos bradar, precisamos gritar, precisamos fazer a gestão olhar para Abrantes.e transformar discurso político e promessas em ação concreta. E isso só será possível com a união de quem vive e sofre todos os dias o que está relatado aqui.
.jpeg)




Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Comentar