Entre no
nosso grupo!
WhatsApp
  RSS
  Whatsapp
Traduzir:

Mulheres no Poder: Além das homenagens, a urgência da representatividade

Compartilhar com UTM
Link copiado! Agora você pode colar o link com UTM no seu Instagram.

Todos os anos, março chega carregado de homenagens às mulheres. Flores, discursos, campanhas publicitárias e declarações exaltam sua força, resiliência e importância na sociedade. Mas, passada a celebração, a realidade permanece dura: a sub-representação feminina nos espaços de poder, a desigualdade de oportunidades e os desafios estruturais continuam sendo uma barreira para que as mulheres assumam, de fato, o protagonismo que merecem.

No Brasil, as mulheres são a maioria da população e do eleitorado, mas essa força numérica não se traduz em ocupação de cargos políticos e de liderança. No Congresso Nacional, apenas cerca de 18% dos assentos são ocupados por mulheres. No Executivo, o número de governadoras e prefeitas ainda é muito reduzido. Essa disparidade não é fruto da falta de competência, mas de um sistema historicamente excludente, que impõe desafios extras às mulheres que ousam disputar o poder.

Se olharmos para a realidade de Camaçari, a situação se torna ainda mais evidente. Nunca, em toda a história do município, uma mulher foi eleita para o cargo de prefeita. Na Câmara de Vereadores, que possui 21 cadeiras, apenas duas são ocupadas por mulheres. Esse quadro revela não apenas a dificuldade de acesso das mulheres aos espaços de decisão, mas também a perpetuação de um sistema político que não promove a verdadeira equidade.

Além disso, assistimos inertes ao faz de conta dos percentuais exigidos por lei para candidaturas femininas. Muitas vezes, mulheres são colocadas nas chapas apenas para cumprir cotas, sem apoio real para suas campanhas e sem a estrutura necessária para que tenham chances concretas de eleição. Esse cenário evidencia como a política ainda trata a participação feminina como uma formalidade, e não como um compromisso real com a diversidade e a representatividade.

O discurso de valorização feminina precisa sair da retórica e se transformar em ação concreta. Valorizar as mulheres significa garantir condições reais para que possam competir de igual para igual, sem precisar provar, repetidas vezes, que são capazes. Significa políticas públicas que incentivem a participação feminina, financiamento eleitoral justo e um ambiente político menos hostil.

Mais do que esperar reconhecimento ou espaços concedidos, é hora de as mulheres assumirem, sem medo, o rumo de suas vidas e ocuparem os lugares que historicamente lhes foram negados. A luta não é apenas por representatividade, mas por mudanças estruturais que só acontecerão quando mais mulheres estiverem onde as decisões são tomadas.

As homenagens de março só terão sentido quando forem acompanhadas de um compromisso real com a equidade. Até lá, a melhor forma de celebrar as mulheres é garantir que suas vozes sejam ouvidas, que seus direitos sejam respeitados e que suas presenças nos espaços de poder sejam não uma exceção, mas uma realidade consolidada.

Mais em Jaílce Andrade

Notificação de Nova Postagem
Imagem