Nim indiano cientificamente conhecido Azadirachta indica (A. Juss.), família Meliaceae, planta exótica, provavelmente originária do sul do continente asiático, de Mianmar (antiga da Birmânia) e da Índia. É também denominado árvore-da-vida pelas suas propriedades medicinais, amargosa e “neen” nos países de língua inglesa.
No Brasil foi introduzido, há quase 40 anos, pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) como uma espécie produtora de madeira, lenha de excelente qualidade, óleo das sementes, extratos alcoólicos de folhas contendo Azadiractina, utilizado na agricultura, medicina humana, veterinária e na indústria cosmética.
Azadiractina é comprovadamente letal para insetos, atuando sobre sua reprodução. Na Índia, é usada há mais de dois mil anos, pelos adeptos das seitas Siddha e Ayurvédica, contra verminose, fungos, bactéria, vírus, como antidiabético, contraceptivo e sedativo.
O nim indiano ou amargosa é uma árvore de crescimento rápido, grande porte, com até 10 a 15 metros altura, diâmetro do caule de 40 cm, a altura do peito (DAP), copa frondosa, flores perfumadas, grande quantidade de frutos atraentes para aves.
Sistema radicular bastante profundo, importante característica de resistência à seca. Adaptou-se bem as diversas regiões brasileiras, inclusive na região semiárida, onde vem sendo considerada uma planta invasora com impactos ambientais indesejáveis. No Cerrado, o nim já é considerado uma ameaça.
A introdução da planta nim no território brasileiro, certamente levou em consideração os benefícios puramente econômicos, sem nenhuma preocupação com a possibilidade de efeitos deletérios sobre o meio ambiente.
Ao longo dos anos de cultivo, quer para produção de madeira, lenha ou para produção de sementes para extração de óleo, diversos problemas indesejáveis estão sendo detectados para a biodiversidade ou diversidade biológica nas condições brasileira.
Entende-se por biodiversidade ou diversidade biológica a variedade de espécies de seres vivos existentes em nosso planeta, bem como o papel desses seres na natureza. Os organismos na Biosfera encontram-se regidos por inter-relações harmônicas ou antagônicas.
As atividades humanas são as principais causas de perda de biodiversidade, dentre as quais a introdução de espécies exóticas merece destaque, diante a competividade com a flora natural ou original.
O nim não é exceção. Ao lado dos benefícios econômicos, sociais, o seu princípio ativo, tem causado à morte insetos, aves polinizadores, responsáveis pela produção de alimentos, impedindo dispersão de sementes, imprescindível a manutenção do fluxo de genes.
A título de informação, a perda de biodiversidade, certamente refletirá sobre a qualidade do ar, água potável, qualidade dos solos para a produção agropecuária, sobre a luta contra as alterações climáticas e a adaptação para novos desafios.
Cabe aos órgãos governamentais tomar a atitude mais conveniente para mitigar os impactos negativos do cultivo do nim sobre a riqueza da biodiversidade no território brasileiro.
Provavelmente, a falta de conhecimento sobre a importância da preservação da biodiversidade, permitiu-se a introdução dessa espécie vegetal, como diz o ditado popular: "se pagou para ver". E, do ponto de vista ambiental “o tiro saiu pela culatra”, segundo a sabedoria popular.
“Preservar a biodiversidade é respeitar todos os mecanismos
que favorecem a existência Humana”.
José Aloísio Portes





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