Enviado pelo executivo municipal e analisado pelas comissões competentes da Câmara Municipal de Camaçari, o projeto que visa revogar o beneficio de um salário mínimo concedido a 98 pescadores durante 3 meses do ano, período em que as condições climáticas não favorecem a pesca ocasionou grande tumulto na Casa. Tanto a maioria da plenária, quanto os vereadores de oposição ao governo se posicionaram contra a matéria solicitando a retirada da pauta, o que não aconteceu.
Relator da comissão de Meio Ambiente, o vereador Sessé Abreu (PSDB) defendeu o seu voto pelo fim do beneficio após ouvir o parecer de um engenheiro de pesca e por encontrar muitas interrogações no projeto. “Em todo Brasil, só Camaçari tem isso, por isso chamei o secretário de Agricultura e Pesca para saber por que são mais de mil pescadores cadastrados e apenas 98 recebem, sendo que a maioria é de Arembepe. Hora, se temos 42km de praia, isso me assustou”, disse o edis.

Sobre a possibilidade de ser implantado um novo projeto, o Mar Azul, de iniciativa da atual gestão, o parlamentar destacou que está sendo estudada a possibilidade. “Esse tem uma abrangência maior e que vai atingir mais jovens, que vai profissionalizar os pescadores existentes, que vai dar condições de ultrapassar os 20km de distância para a pesca em alto mar”.
Sessé ainda questionou que a Colônia Z14 responsável pela escolha dos beneficiados pelo projeto iniciado no ano de 2010, teve acesso a milhões para aquisição de 2 barcos pesqueiros pra atender ao município, no entanto, eles não estão em atividade. “Queremos explicações sobre isso”, finalizou Sessé.
Presidente da Colônia Z14, na época que o projeto foi aprovado em Camaçari, Ajax Tavares, se mostrou indignado com aprovação da revogação. “Isso é uma vergonha, vejo pessoas que no passado estiveram próximas do segmento de pesca, que se mostravam nossos amigos, e que hoje por conta da temporalidade do mandato, e por conta de acordo menores votam contra uma categoria que eles sempre puderam contar. Pessoas que não conhecem nada de pesca assumem a tribuna para defender o que ouviram alguém dizer. Não deram a quem conhece realmente do assunto à oportunidade de se pronunciar na Tribuna Cidadã”.

Sobre o fato de apenas 98 pescadores terem direito ao beneficio, Ajax justificou que só recebe quem efetivamente se enquadra na lei. “Essa história da quantidade é balela. Esquecem que esse novo projeto que eles dizem que vão viabilizar, só vai dá resultado daqui a 2 ou 3 anos e como os pescadores vão ficar nesse período? Eles precisam ao menos pagar os três meses que já estão devendo”.

Vereador pastor Neilton
O vereador Pastor Neilton (PSB, parlamentar da situação votou contra a matéria. “A gente tem que está preparado para as manifestações, por que esses debates sempre vão existir na casa. É preciso de equilíbrio, por que quando nos posicionamos sem conversar antes com o colegiado, quando não se ouve a maioria, acaba criando um mal estar, por isso fui contra por entender que são 98 pescadores e suas famílias que não serão mais assistidas”, justificou.
Mesmo pensamento do petista Marcelino (PT) que ainda acusou o executivo municipal de estar contra os pescadores. “Elinaldo quer deixar 300 ou mais pessoas sem uma coisa que é delas de direito. O governo da mudança vem pra acabar com o beneficio de gente pobre, gente humilde, gente simples e que precisa desse dinheiro”.
Sobre a condução da mesa diretora da Casa durante as discussões de extinção do projeto, Marcelino pontuou que “o presidente da Câmara é para conduzir e não para mandar nos vereadores. Ele não pode se comportar como dono dos parlamentares, ele não pode mandar um parlamentar se retirar do plenário, esse é um comportamento errado, ele fica ouvindo o líder do governo que tem medo do debate”.
Em sua defesa o presidente Oziel disse que entende que existe uma disputa de poder. “Um grupo político ganhou a eleição e outro grupo político perdeu, então é muito natural que projetos que contrariem o entendimento da oposição eles vão se posicionar dessa forma. É preciso que exista o respeito dentro desse debate, com todos os colegas da casa e com aqueles que estão nos assistindo, pois nosso objetivo aqui é propor matérias que venham melhorar não só a administração, mas os resultados para Camaçari”.
Questionado sobre o discurso dos vereadores de oposição, o presidente disse que não guarda magoa nem rancor. “Não posso julgar a reação dele, cada um tem a sua maneira de pensar, agora de forma nenhuma a direção dos trabalhos tem ceceado a fala de qualquer que seja o vereador”.
Uma sessão extraordinária para votação em segundo turno foi realizada e a maioria votou a favor da revogação do beneficio aos pescadores. O vereador Adalto também votou contra a revogação juntamente com a oposição e o vereador Neilton. Foram 7 votos contra os 13.


Vereador Téo Ribeiro (PT) revoltado com o andamento da sessão e aprovação da retirada do benefício

Bancada do governo





Vereador Tèo quebra uma taça com suas movimentações brusca no calor do debate



Momento de tensão, Ajax Tavares, advertindo o segurança para não interferir na reação dos pescadores





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