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Ex-secretário de Camaçari, Carlos Silveira concede entrevista ao Portal Abrantes e abre o jogo sobre sua saída do PT

Atualmente ele é filiado ao PSOL

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Ele nasceu em Caetité e está perto de completar 60 anos, o ex-secretário, professor e empresário de contabilidade, Carlos Silveira concedeu entrevista ao Portal Abrantes e abriu o jogo sobre sua saída do Partido dos Trabalhadores, política local e entrada no PSOL. Confira abaixo o que pensa o militante de esquerda.

Portal Abrantes: Por onde anda Carlos Silveira?

Carlos Silveira: Saí do PT depois que teve um congresso em 2015, estou na direção municipal do PSOL, que ainda não tem envergadura política, o tamanho que precisaria ter no município, mas é uma construção. Vivemos um momento muito adverso na política, onde tudo pode acontecer. Essa situação de Geddel, foram preciso 7 maquinas para contar o dinheiro e isso degrada muito a politica brasileira.

PA: Como você pensa a política em Camaçari?

CS: Eu sou um militante da esquerda, e hoje a política é a que você está vendo aí, onde tem um prefeito que não manda consertar a sinaleira da rua Francisco Drummond com a Avenida Comercial há 15 dias quebrada, nós temos uma obra de calçadas que já dura há 8 meses e nem uma rua terminou, se esse governo for fazer essa mesma obra em todas as ruas da cidade ele precisaria de 12 anos de governo para fazer.

PA: Que Camaçari, que Bahia, que país você sonha dentro dessa conjuntura que vivemos hoje?

CS: Eu morrerei lutando, apaixonado, me emociono por essa luta e foi isso que me fez sair do interior e ir para capital, foi isso que me fez ir para a faculdade, que me fez vir para Camaçari nos meados da década de 70 organizado com os comunistas. Viverei assim até não aguentar mais me mexer. Me aposentei da prefeitura o ano passado mas não me aposentei da atividade politica, estou ativo organizando as pessoas para o congresso do PSOL, dia 24 desse mês teremos uma plenária onde serão eleitos os delegados para o congresso nacional e eu estou nessa frente de luta.

PA: Porque escolheu Camaçari?

CS: Eu sou apaixonado por Camaçari e não voltaria mais para Caetité, ela me contagiou, um município que me acolheu onde criei minhas três filhas, aqui fiz minhas amizades, e quero essa cidade cada vez melhor, dei os melhores anos da minha vida para o PT, aos movimentos sociais, ao governo municipal e faria tudo novamente, por que me sinto muito bem nessa cidade.

PA: Você se ver voltando ao governo para administrar?

CS: Não me vejo voltando ao governo, acho que poderia juntar algumas cabeças para pensar a cidade, um instituto, uma ONG, um centro de debates, mas que produza conhecimento sobre esse município que é árido de produção intelectual, de discussão dos rumos dele. Fui a Caetité em julho de 2016 e foi publicado 3 livros de pessoas daquela cidade e aqui apenas uma pessoa escreveu um livro. Falta fomentação, incentivo, temos um prefeito que incapaz de governar.

PA: Mas você reconhece que esse governo herdou uma herança ruim?

CS: No meu interior se diz pelo arrear das malas se conhece o sujeito, então pelo arrear das malas de Helder, Tude, Elinaldo, Humberto Ellery e por último de Waldeck Ornelas que veio coordenar esse negócio, já se vê o que vai dar, não é nada pessoal é apenas uma análise do gestor. O prefeito não tem conhecimento necessário para se tomar decisões estratégicas no município, ele é uma figura política menor do que Helder, Tude, Humberto Ellery e Waldeck Ornelas, e mais esse condomínio tem 5 interesses divergentes, cada um puxando pra seu lado e ainda tem que ter uma combinação muito grande com Antônio Carlos Magalhães Neto em Salvador. Procure saber nesses 8 meses o que esse governo já acertou? Em nada.

PA: E se no final do governo ele acertar o que você vai dizer?

CS: Vou dizer que errei e vou reconhecer. Isso não vai tirar nenhum mérito de mim, mas para falar isso eu faço uma análise, não é achismo, que história o prefeito tem como administrador, que prática, que conhecimento, o povo na ânsia de querer mudar colocou uma pessoa inferior a Ademar que teve o pior governo dos últimos anos. Prova disse foi o desfile na Gleba E, não fiquei na galera de ninguém só olhando, e não me deu vontade nem de ir assistir o de Parafuso, tão diminuto, tão sem povo, tão sem estudante, tão sem professor, sem emoção.

PA: Em entrevista ao Portal, Ademar disse que o PT em Camaçari tem dono, você também acha isso?

CS: Eu diria que teve em Camaçari um movimento muito grande em 2002, 2003 e 2004, o Partido dos Trabalhadores conseguiu implantar o que a gente chamava de ‘o projeto’, era muito comum em nossos discursos esse termo e fizemos o melhor governo que a cidade já teve de 2005 a 2008, onde se avançou muito as coisas e em 2008 Caetano ao ganhar a eleição rompeu com o projeto coletivo e montou um familiar, naqueles 4 anos as coisas começaram a desandar, e as pessoas que eram criticas a isso foram tiradas do governo, Caetano se tornou dono do PT, comprou muitas consciências. O segundo erro dele foi Ademar, onde dizíamos que ele seria um bom secretário mas não um bom prefeito e naquele momento ele tinha quase todo partido na mão e quem criticava era cortado do processo.

PA: Onde a esquerda errou?

CS: Eu saí do PCdo B em 1980 para fundar o PT, eu sou do movimento inicial de fundação do partido, e até a campanha eleitoral de 89 o PT tinha um programa de esquerda, se reivindicava um partido socialista. Em 92 Lula já se candidatou com um programa diferente de alianças com os setores da burguesia brasileira, se passou a usar métodos dos partidos burgueses para arrecadar dinheiro pra campanhas eleitorais foi aí onde ele errou profundamente, por que pessoas de dentro do PT começaram a fazer isso para familiares e aqui em Camaçari não foi diferente, eu saí do partido por que cobrei dele uma autocritica.

PA: Existe toda uma pressão no país para descaracterizar a esquerda, o que pensa sobre isso?

CS: Agora em 05 de outubro vai acontecer uma coisa linda, 100 anos da tentativa de implantação de uma sociedade socialista dirigida por Lenin na União Soviética, a história não é linear e o processo histórico não se conta em dias e anos, o socialismo cuida prioritariamente das pessoas. Cuba tem a melhor saúde e educação do mundo, milhares de médicos trabalhando para ajudar salvar a vida das pessoas. Em 2008 fui na Venezuela no Fórum Social Mundial e tive uma experiência que eu choro quando me lembro, conversei com um senhor de 50 anos, ele me disse que ficou cego com 15 anos de idade e agora com 40 anos Chaves mandou um transporte me pegar na roça e me levou para Cuba  onde eu fui operado e voltei a enxergar e não gastei um centavo, só o socialismo faz isso.

PA: O que acha desse momento que a Venezuela vive, que o mundo capitalista não consegue enxergar, com esse olhar que você está traduzindo do socialismo?

CS: As pessoas que criticam o Maduro e o Chavismo devem procurar saber como vivia a Venezuela a 20 anos atrás, a pocilga que era o que querem fazer lá o mesmo que fizeram com Dilma aqui no Brasil, lá o Chavismo melhorou a vida o povo, distribuiu renda, lá o exercito, o judiciário estão com o Chavismo, o governo distribuiu armas para os trabalhadores.

PA: Você defende a luta armada no Brasil?

CS: Defendo os processos revolucionários, no passado foram tentativas revolucionárias erradas, pra se ter uma revolução é preciso ter objetivos dizia Lenin, é preciso que os de cima não queiram mais governar, os de baixo não queiram mais viver sufocados, é necessário que tenha um partido e uma liderança política forte, então numa situação dessa eu estaria ao lado dos que pegarão em armas para defender o povo.

PA: Você se considera um sonhador?

CS: Eu sou um sonhador, uma sociedade socialista é uma utopia e ela nos mantem vivos, e não estão dadas as condições para uma luta revolucionária hoje no Brasil, mas na Venezuela estão, o Estados Unidos está ameaçando invadir e no final da década de 70 na coisa de libertação das jovens republicas da África, você via pessoas dizendo que iriam se alistar para lutar em Angola, em Moçambique, na Guiné Bissau para defender o socialismo e tinham diversos brasileiros nas universidade que tinha solidariedade com os de baixo.

 

 

Por: Portal Abrantes

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