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Ivanildo Antônio bate papo como o Portal e fala dos seus projetos artísticos e sobre a política local

Atualmente o diretor desenvolve um trabalho em Fortaleza, no Ceará

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Ator, diretor e cineasta e tantos outros talentos, Ivanildo Antônio que também já foi secretário da cultura de Camaçari bateu um papo descontraído com a equipe do Portal Abrantes e falou dentre outras coisas, de seus projetos artísticos e sobre a política local. A conversa com o artista aconteceu na manhã desta terça-feira (29/08) durante um café que tomava com o amigo, Hamyd Souza.

Portal Abrantes: Conta um pouco sobre o projeto que você está desenvolvendo em Fortaleza?

Ivanildo Antônio: O Ceará tem sido muito generoso comigo, nós implantamos um Núcleo de Teatro Solidão Solidária, no dia 02 de setembro estamos estreando o espetáculo Voou das Borboletas, no Teatro SESC, além disso, estamos nos preparativos para o Encontro Nacional que acontecerá em 3 lugares, Fortaleza, São Paulo e Camaçari, onde vamos albergar jovens e artistas de vários lugares do mundo que na verdade é uma preparação o encontro internacional que será realizado em 2019.

PA: Porque o Ceará, porque Fortaleza?

IA: Aconteceu uma coisa muito de luz no Ceará, eu na verdade criei o método em São Paulo há 20 anos e apesar de ser algo em construção eu estava cansando de quase todos os anos fazer essa pesquisa como morador de rua e eu pensava em desistir, uma força vinha e dizia "não Ivan continua" e em todas as capitais que eu chegava passava dois dias antes, depois me vestia de mendigo e perambulava pelas praças, conhecia jovens em situação de rua e os convidava para a minha oficina onde eu fazia o encontro dessas pessoas com empresários, psicólogos, professores, artistas. Em Fortaleza conheci uma das mais importantes companhias de teatro do Ceará e a diretora Márcia Ribeiro foi aluna minha em São Paulo e estudou 5 anos comigo o método e quando eu cheguei ela juntou o elenco e disse que queria ter essa experiência com o mestre, eu fui mas sem vontade. Fomos para a Praça do Ferreiro e chegando lá encontramos pessoas fantásticas e uma delas foi uma mulher uma negra, índia, que me olhou, pegou no meu ombro e disse "eu vejo luz em seus olhos, me ajude" e que eu tinha ido à segunda vez a Fortaleza buscar respostas. Nos abraçamos e em um primeiro momento eu não entendi o que ela queria dizer e ela foi embora e eu percebi que estava sem minha boina que sempre me acompanhou e nessa hora decidi que era o momento de sair do personagem, que tinha que  parar de ir para as ruas.

PA: E depois desse momento espiritual que vivenciou o que aconteceu?

IA: Passamos em uma igreja onde deixei uma camisa como forma de gratidão, fui no albergue onde eu tinha passado a primeira vez para convidar os moradores de rua para a minha oficina e deixei a calça e perto do hotel tem a escola onde eu ministro aula, lá eu deixei minha sandália e cheguei no hotel apenas de bermuda sem as roupas que me acompanhavam há 20 anos, e quando comecei a contar para um dos funcionários do hotel  ele me perguntou o que a moça me disse e depois falou que Fortaleza se chamava a terra da luz, foi aí que percebi que tinha que fazer o encontro nacional onde encerrei a pesquisa.

PA: Oriundo de Camaçari, aqui já foi secretário de cultura que é a sua praia, o que pensa dessa cidade hoje?

IA: Percebo que Camaçari apesar de sua grandeza ainda não tem a capacidade de eleger também pessoas honestas e éticas, ela é uma cidade que se vende muito fácil, que apesar de tanta riqueza ainda é pobre nesse sentido, se deixa manipular muito fácil e isso me entristece, por que a gente percebe que as pessoas do bem se afastam ao ver a cidade manipulada por políticos em todas as esferas e que a tratam tão mal.

PA: Você fala isso como cidadão ou por vinculo partidário?

IA: Falo como cidadão, não são os cargos que fazem o homem são as ações, por exemplo, tenho alguns amigos, como Artur Moreira Lima que toda vez que vem ao nordeste fazer concerto ele me convida para participar do show dele, e eu sempre convido alguém da cidade para ir comigo. Há seis meses convidei o mestre Enoque Norberto com o Bando Padim Vô e ele achou lindo, e semana passada convidei outros professores da Casa da Criança que levaram 30 crianças e eu não pertenço a esse governo e fui contrário a ele, mas o que interessa nesse momento são as crianças, e tem pessoas que só agem politicamente e jamais fariam isso, meu foco é o ser humano que precisam ser notados e vistos, e eu falei para os envolvidos que não precisam falar meu nome, que foi um convite meu, eu posso estar em qualquer lugar do mundo e se eu puder colaborar por gratidão irei.

PA: Com a pungência que Camaçari tem o que falta pra que a cultura na cidade dê um salto?

IA: Falta união, quem faz cultura no município precisa estar mais próximo, aqui tem centenas de artistas e quando um vai lançar um cd vão apenas 10, se eles se unissem de verdade a cidade seria outra, quando faltava verba, por exemplo, em minha secretária os artistas me culpavam, eu apenas administrava as verbas que vinham. Eu acho que o governo anterior fez coisas belíssimas, como a Cidade do Saber, praças, e o atual eu só vou fazer criticas daqui a uns três anos e acredito que vai deixar algo bacana, como o governo de Tude também deixou. A gente não pode achar que tudo que o outro fez é ruim, isso é falta de consciência. Como negar que a nossa gestão que era a de Caetano não avançou, isso é uma grande covardia.

PA: Camaçari é grande e tem uma veia artística que não conseguimos identificar ainda, pessoas que estão invisíveis, você concorda?  

IA: Eu discordo, tem um senso que todo governo faz e não pode o governante ir na casa do artista busca-lo, ele tem que procurar, ir na secretaria, ir na prefeitura, buscar conselhos de cultura, não dá para ser babá do artista eu sou um e sofri muito com isso, por que tinha pessoas que chegavam para apresentar um show, colocavam um valor, por exemplo de 15 mil não valendo mil reais, sou produtor e sei vinha Bule Bule e cobrava 12 mil com toda a história que tem na cidade, e muitos buscavam padrinhos políticos.

PA: Então a política se envolvia em tudo e quem tinha valor não tinha espaço?

IA: Quem tinha ligação com vereador e deputados queria tocar todos os anos e sempre fui e sou contra, Paulo Carrilho, por exemplo, tem uma ligação com Tude e é um dos melhores artistas da Bahia, como em uma semana de cultura eu não vou inserir ele? Só por que ele não era ligado a mim ou ao PT? Isso não existe, em todos os governos isso é prática e os artistas estão acima de tudo isso.

PA: Você trabalharia nesse governo?

IA: Jamais participaria, mas minha contribuição como artista e cidadão é um dever, por que a cidade me pertence também e eu quero que ela seja melhor para a minha filha e minha neta, como membro do governo não apenas como artista.

PA: Essa é uma decisão por questão ideológica?

IA: Está difícil de lidar com a questão ideológica, por que o PT tá sofrendo esse bombardeio e critica todo mundo menos ele, as alianças foi ele que fez e elas que derrubaram ele. Eu acho que Ademar Delgado foi um dos piores prefeitos que a cidade já teve e quem o colocou lá foi eu, eu fui pra rua pedir voto e eu peço perdão ao município, eu errei, mas não errei sabendo. Eu achava que por ele ter tanto tempo como administrador ele faria jus ao cargo, mas foi uma porcaria e não vou culpar as pessoas. Espero que as pessoas que votaram agora, se esse governo não for o desejado, que eles façam o mesmo.

PA: Errou porque não analisou antes ou por que seguiu a orientação de um líder, do dono do PT no município, como disse Ademar em entrevista ao Portal?

IA: É muito cômodo agora eu dizer que o culpado foi o líder, quando Caetano indicou eu devia ter a sabedoria para não seguir ele mas fui enganado por Ademar, que com o currículo que ele tinha deveria ter feito um bom governo. O Brasil está assim por que quando as pessoas acertam elas querem aplausos e quando erram elas se escondem e eu tenho a nobreza de reconhecer meus erros.

PA: Você se sente injustiçado como artista, pela política ou pelo próprio partido?

IA: Cada um tem o que merece, se eu fui esquecido na política é por que eu mereci como artista eu só tenho gratidão.

PA: Pra finalizar deixa uma mensagem.

IA: Primeiro que s artistas se unam por que isso faz tremer qualquer base política, qualquer gestão e segundo que os governantes sejam apenas justos, tratando artistas de 10, 20 anos de história do mesmo jeito com quem tá começando agora, a não ser que o artista não tenha evoluído e não se portar como produtor e sim como fomentador.

Por: Portal Abrantes

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