Gritos, documentos rasgados e ânimos exaltados marcaram a sessão ordinária da Câmara Municipal de Camaçari, na manhã desta quinta-feira (09/04). A confusão teve início após a não entrar em pauta o Projeto de Lei nº 1.195/2026, de autoria do Poder Executivo, que trata do reajuste salarial dos professores da rede pública.
Um grupo de professores protestou na Casa Legislativa contra a demora na apreciação da matéria em plenário. O projeto foi enviado a Câmara no dia 20 de março, mas a Comissão de Finanças e Orçamento (CFO) decidiu retê-lo, alegando “inconsistências relevantes de natureza fiscal”, conforme parecer elaborado por uma empresa de assessoria contábil consultada pela Casa.
Relator da CFO, o vereador Jamessom (PL) afirmou que pode haver incompreensão por parte dos professores em relação aos trâmites legislativos. “Eles entendem do sindicato, aqui que entende somos nós vereadores. O prefeito mandou o projeto em regime de urgência, quebrando todos protocolos que poderiam ser feitos para atender as necessidades dos professores e não da categoria, e esse é o problema. Existe uma divergência enorme dentro da categoria em relação a um artigo do projeto, e eu pedi um estudo da empresa de contabilidade da Casa pra analisar, como o prefeito também fez, porque ele não sentou em uma mesa para escrever um Projeto de Lei sozinho e mandou para o Executivo. Ele escutou a procuradoria dele, os contadores dele e eu fiz o mesmo. A Gradus encontrou três novas inconsistências que podem prejudicar a categoria, e eu não vou votar um Projeto tendo na mão um parecer que mostra inconsistências”, explicou.
Link de entrevista em vídeo: https://www.instagram.com/p/DW6zPwcEY2k/
Sobre o episódio em que rasgou o contracheque da presidente do Sindicato dos Professores e Professoras da Rede Pública de Ensino de Camaçari (Sispec), Sara Santiago, durante a manifestação, o vereador afirmou que a situação foi resolvida. “Eu entendi que ela tinha me ofendido. Depois, ela disse que não, pediu desculpas, e eu também me desculpei. Ficou tudo esclarecido. No calor da emoção, achei que ela tinha me xingado, ela negou, me apresentou um papel na hora, não sabia do que se tratava e acabei rasgando. Mas já estamos entendidos”, declarou.
Link do vídeo que mostra o momento que o contracheque é rasgado: https://www.instagram.com/p/DW6toDRERGf/
Antes do episódio, a presidente do Sispec havia tentado apresentar o contracheque para mostrar ao vereador o valor de seu salário. Após a recusa do parlamentar e o documento ser rasgado, Sara Santiago, bastante exaltada, afirmou ter se sentido agredida e cobrou um posicionamento da presidência da Casa.
Em sessão extraordinária realizada após a confusão, o presidente da Câmara, Niltinho Maturino (PRD), manifestou solidariedade à dirigente sindical. “Esta Casa não concorda com esse tipo de comportamento. Estamos à disposição da professora Sara para adotar as medidas cabíveis. Em um momento em que tanto se discute o feminicídio, não podemos aceitar atitudes como essa por parte de autoridades. O vereador se desculpou, mas não admitiremos que isso se repita. Como representantes do povo de Camaçari, devemos ser exemplo”, afirmou.





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