A abertura dos trabalhos legislativos na Câmara de Vereadores de Camaçari, na última quinta-feira (19/03), foi marcada por protestos. Dois grupos realizaram manifestações simultâneas, cobrando o pagamento de salários atrasados de uma empresa terceirizada que presta serviços à Prefeitura, além de reivindicar melhorias nas comunidades onde residem.
Os vereadores iniciavam uma Sessão Especial em homenagem aos 78 anos da Câmara quando os manifestantes entraram no plenário com cartazes. A presidência da Casa solicitou a formação de uma comissão, composta por parlamentares e representantes do governo municipal — convidados para a atividade —, para atender os grupos e permitir a continuidade dos trabalhos.
Com fardas em mãos, funcionários da EPIC, empresa prestadora de serviços à Prefeitura, denunciaram o atraso salarial, que já se aproxima de dois meses. Segundo os trabalhadores, a empresa tem efetuado apenas pagamentos referentes à alimentação e ao transporte. “Quando a gente manda mensagem ou vai pessoalmente questionar, respondem com ironia e deboche, mandando sempre procurar o prefeito. Se pedimos um sapato para trabalhar, dizem: ‘peça ao seu prefeito’. Na verdade, nos tratam como nada”, relatou a trabalhadora Cibele Santana.
As condições de trabalho também foram alvo de críticas. De acordo com o grupo, além da falta de equipamentos de proteção, itens básicos como vassouras, pás e rodos não são disponibilizados.
Após ouvir as demandas, o vereador Dilson Magalhães (PP) destacou que os trabalhadores buscaram o local adequado para reivindicar seus direitos. “A Câmara está aberta para receber qualquer manifestação popular. Junto com o secretário de Relações Institucionais, ouvimos as trabalhadoras e hoje serão feitos alguns repasses e, à medida que os valores forem creditados e comprovados, novos pagamentos serão realizados”, afirmou.
O vereador Dr. Samuka (PRD) também participou da reunião e defendeu uma solução imediata. “O prefeito precisa entender que a responsabilidade é dele. Ele pode rescindir o contrato e firmar um contrato emergencial, há respaldo legal para isso. Se necessário, pode enviar um projeto à Câmara que será aprovado em regime de urgência, com apoio da base e da oposição”, declarou.
O secretário de Relações Institucionais (Serin), Ademar Lopes, garantiu as trabalhadoras que os salários serão regularizados nesta quinta-feira (20). “Estamos resolvendo a situação, inclusive pela via judicial, e os pagamentos serão feitos de forma gradual, evitando o uso indevido dos recursos que serão repassados. Estamos tratando o caso com cautela e utilizando todos os mecanismos legais para assegurar os direitos dos trabalhadores nesse momento de transição entre empresas”, explicou.
Sobre a outra manifestação
Outro grupo, formado por moradores da zona rural de Camaçari, cobrou do poder Executivo a pavimentação das estradas que dão acesso às comunidades de Jordão, Lagoa Seca e Mucambo. Segundo os manifestantes, a vereadora Neidinha (PT) teria enviado um áudio no dia anterior orientando que não comparecessem à Câmara para protestar, afirmando que buscaria resolver a demanda junto ao Executivo.
O Portal não teve acesso ao conteúdo do áudio e se coloca à disposição para ouvir o posicionamento da parlamentar.





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