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Camaçari

João Leite concede entrevista ao Portal, abre o jogo sobre o trabalho da imprensa em Camaçari e avalia a atual gestão municipal

Para João Leite, parte da imprensa de Camaçari ainda não entendeu o seu papel.

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O comunicador João Leite, diretor geral do site Camaçari Agora, concedeu uma entrevista ao Portal nesta terça-feira (12/08), e dentre os assuntos abordados, falou sobre o papel da imprensa no município, a importância, respeito e valorização da categoria. Na oportunidade, ele ainda fez uma avaliação da atual gestão municipal.

Para João Leite, parte da imprensa de Camaçari ainda não entendeu o seu papel. "As estruturas de governo, seja a oposição, seja a situação, seja o legislativo, o executivo, precisam entender, respeitar e contribuir de forma positiva com o nosso trabalho. É dar informação, não criar dificuldade, é facilitar o trabalho da imprensa. Então, é fundamental que as pessoas, que esses agentes políticos, entendam isso, seja secretário, seja vereador, seja com ou sem cargo, seja com ou sem mandato, mas que entendam a importância e não se furtem em contribuir com essa melhoria, porque Camaçari não é uma cidade comum, ela é uma cidade importante por causa de Polo Petroquímico, por causa da posição geoeconômica, é um município diferenciado. Então, tudo isso tem que ser levado em consideração. Agora, os políticos precisam entender a importância da cidade e também fazerem a sua parte", salientou.

Desde de 1984 trabalhando em Camaçari, João Leite já passou por assessorias de comunicação de alguns políticos da cidade. “Trabalhei com Ellery de 1984 até 85. Aí saí, voltei para Salvador. Um colega meu que já morreu, o jornalista Pedro Augusto estava montando a campanha de Caetano pra prefeito, ele era vereador, e me chamou para trabalhar. Caetano ganhou a eleição, eu fiquei trabalhando com ele até 1988, aí quando chegou em março eu pedi pra sair, voltei para Salvador. Em 2004 retornei, vim fazer um trabalho de assessoria com André Corvelo, que na época trabalhava com Tude que saiu, Hélder assumiu, fiquei um período, mas logo sai também. Depois voltei para trabalhar no final da gestão de Caetano, no seu segundo mandato de prefeito em 2007, 2008 na assessoria de comunicação. Aí resolvi sair para montar o site, e nessa brincadeira o site já tem uns 15 anos”, contou.

Sobre essas idas e vindas para Camaçari, João Leite destaca o desafio de trabalhar com comunicação na cidade. “A tendência não é o setor empresarial porque ele não investe na imprensa. O setor público, a prefeitura que é o grande patrocinador dos veículos, mas sempre indica o que ela quer, e isso é uma coisa muito complicada porque o poder público quer que a gente diga o que ele quer, e se não disser você fica fora, aí você é rifado. Enquanto o gestor não entender que aquele dinheiro é público e que você faz um trabalho de comunicação e informação para a cidade que, portanto, você precisa ter aquele suporte para você amplificar o que a prefeitura está fazendo, e não o que o prefeito está fazendo. Tem uma diferença entre o prefeito, o gestor de plantão e a prefeitura. E sempre tem essa dificuldade, tem um bocado de filtro. Mas a gente vai tentando driblar isso e vai seguindo. Mas espero que ainda chegue um dia que os gestores entendam essa importância e respeitem a imprensa como ela precisa ser respeitada”, reforçou.

Questionado sobre qual avaliação fazia da gestão de Caetano, por já ter trabalhado com o atual prefeito em outros mandatos, João Leite disse que o governo ainda não se encontrou. “É o quarto mandato dele, e eu costumo dizer na minha coluna (Camaçarico) que é Caetano 04. Então, ele já vem de uma experiência de três mandatos, dos equívocos do primeiro mandato de três anos de 86 a 88. Depois de 2005 ele vem, fica dois mandatos seguidos, já tem uma outra postura. E ele vem agora com essa experiência. Mas, a gente não está sentindo na prática essa experiência que Caetano tem. Eu não sei o que está acontecendo, mas eu estou achando que a gestão está com dificuldade, os secretários, não sei se é a estrutura das secretarias, o pessoal reclama que foi herança, mas sempre se tem herança. Camaçari é um município que tem uma arrecadação forte, me parece que tem um problema de planejamento. Porque se sabia que teriam dificuldades, até porque hoje os números são públicos, com a internet, com a digitalização, e antigamente as pessoas só sabiam quando assumiam. Acho que isso é uma coisa que precisa ser corrigida, já estamos em agosto e precisa corrigir logo”, ressaltou.

Por sinal, o último assunto tratado na coluna de João Leite, foi justamente sobre uma das secretarias da atual gestão, a de Desenvolvimento Social (SEDES), que tem sido alvo de muitas reclamações da população. “É uma pasta importante e que enfrenta problemas na distribuição de kits de enxoval, cesta-básica, uma coisa que na gestão de Elinaldo não tinha. Então, é uma queixa generalizada dos técnicos que não estão tendo estrutura necessária para trabalhar. O Conviver está fechado e é um equipamento importante nesse momento, ainda mais no Brasil onde cada dia que passa aumenta o número de pessoas com mais de 60 anos. O Conviver foi inaugurado no segundo governo de Caetano com a maior festa, orgulho, maior pompa, e tá fechado há oito meses devido a uma reforma que não acaba nunca. O Centro Pop que atende a população em situação de rua, e essas pessoas têm direitos iguais a mim e a você, estão tendo benefícios reduzidos. A Casa da Criança e do Adolescente, que é um projeto fantástico de inclusão, está lá sobrevivendo, capengando por conta da dedicação dos técnicos, dos professores e educadores, porque o município não consegue entender, e não é de agora, não é de Elinaldo, é de antes, porque quando Caetano construiu a Cidade do Saber, ele abandonou a Casa da Criança, deixou ela para segundo plano. Então, essa estrutura é que atende essas crianças carentes, para que elas tenham a capacidade de pelo menos viver com um pouco de competitividade nesse mundo que está aí”, exaltou.

Para finalizar, João Leite falou da importância estratégica que Camaçari tem na Bahia e no Brasil. “Se as pessoas não entenderem Camaçari como um polo industrial, polo turístico, um polo econômico, de agricultura familiar, que é outro problema, está abandonada. Aquilo que gera renda, emprego, o agricultor familiar, o cara não quer ganhar dinheiro pra comprar um carro de R$ 200 mil, mas que quer viver com dignidade, colocando o filho em uma faculdade para melhorar de vida, precisa de estrutura, que não está sendo dada. Nós temos terra, água e sol. O que está faltando? Ainda tem o turismo rural, o turismo da orla, temos 42 km de praias e isso não está tendo aproveitamento. Na Europa as pessoas vivem do turismo. A gente aqui só quer viver de indústria. Então, tem um foco que precisa ser ampliado. Não adianta você ficar só olhando indústria, indústria, indústria, que inclusive está há cada dia mais cheia de automação. O Polo dos anos 70 empregava 20 mil pessoas, hoje emprega 2 mil, 3 mil por causa da automação. Essas fábricas que vêm aí como a BYD, estão vindo cheias de robôs”, concluiu.

 

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