No momento atual - período eleitoral - os analistas demonstram dificuldades em formar um juízo em relação ao quadro do momento e o cenário que se configurará após o dia 02 de outubro. Isso em função do processo de desinformação praticado pelos candidatos e pelos seus seguidores deixando clara a intenção de provocar, apenas, a desqualificação dos opositores, naturalmente em aspectos que envolvem as suas atividades politicas, familiares e do exercício profissional. Semelhante ao pleito de 2014, quando da escolha para presidente da república, senadores, governadores dos estados e deputados para compor a câmara e as assembleias legislativas, as redes sociais e os sites locais têm desempenhado um papel de influência, na decisão dos eleitores de significativa importância, diante do fácil acesso e da agilidade de circulação das informações. No caso específico de Camaçari, tanto os agentes políticos, quanto os redatores dos principais sites tem demonstrado ter lado – opção politica -, embora mudem, como passo de mágica, de atitudes e preferências em relação a partidos e candidatos – majoritários e proporcionais.
Neste quadro algumas pessoas e alguns setores da mídia eletrônica se destacam a exemplo do desempenho da minha amiga Fabiana Franco, Reginaldo e Professor Chagas. Fabiana uma teórica das questões sociais, notadamente das questões de preconceitos direcionados à comunidade LGBT, passa a demonstrar uma performance de militante agressiva na linha da desqualificação dos seus adversários, em notória decepção para com os valores e alicerce da esquerda, anteriormente utilizados preservados em seus discursos, em pro da organização dos seguimentos sociais e da participação popular nas decisões governamentais. Reginaldo tem se posicionado com menor agressividade, funcionado como sustentador dos conteúdos apresentados por Fabiana, diversificando no entanto, no direcionamento ao não aproveitamento do potencial da estrutura municipal edificada para a promoção, diversificação e prática do esporte e lazer. Professor Chagas busca incansavelmente debater com os candidatos suas teses chegando à conclusão que os candidatos fogem dos debates por falta de consistência ideológica, conteúdo. Esses valorosos amigos não levaram em consideração a cultura e o perfil da sociedade camaçariense que os coloca dentro de uma casta dos 1,6% dos eleitores que concluíram o curso superior e que a grande massa (38%) figuram entre os que ficaram no ensino fundamental e apenas 19% concluíram o ensino médio. Assim, diante de um quadro difícil para manter as suas necessidades básicas expõe o princípio de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, acima das questões de natureza ideológica.
Ao expor os lamentáveis percentuais da composição do eleitorado de Camaçari, lembro da indagação do amigo Dan Barbosa sobre a instituição do voto obrigatório estabelecido pela outorga de 1824, posteriormente na carta de 1824, o voto obrigatório foi confirmado em 1932 pelo Código Eleitoral da época e também pela Constituição de 1934. A atual Carta Magna de 1988 traz a obrigatoriedade do voto eleitoral para todos os cidadãos, exceto para os analfabetos, os menores de 16 e 17 anos e para os idosos maiores de 70 anos. O voto é um dever do cidadão e não uma obrigação como dispõe o parágrafo 1º do Art. 14 da CF/88.
Vejo o voto obrigatório, ainda, necessário para a sustentação e consolidação da jovem democracia brasileira. O voto é um direito do cidadão; O voto facultativo é adotado por todos os países desenvolvidos e de tradição democrática, no entanto, o voto facultativo melhora a qualidade do pleito eleitoral pela participação de eleitores conscientes e motivados, em sua maioria; A participação eleitoral da maioria em virtude do voto obrigatório é pedagógico, educativo; O atual estágio político brasileiro não é propício ao voto facultativo;
Se as teses levantadas aqui são verdadeiras, fico a rogar que os agentes políticos conscientes do município aproveitem da oportunidade, do momento eleitoral, para contribuir para com a melhora da cultura politica da população de Camaçari, isso, no sentido de apresentar melhor a qualidade dos nossos representantes no executivo e no parlamento municipal, condizente da importância econômica e estratégica da terra da árvore que continua a chorar.
Adelmo Borges





Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Comentar