As atenções e esperanças se voltam para configurar um ano novo repleto de possibilidades exequíveis de combate às mudanças climáticas sentidas com bastante intensidade no planeta. As expectativas são de avanço nas constatações e de as nações saírem delas para enfrentarem com chances reais de resultados positivos o agravamento das consequências do aquecimento global ante o número impressionante de mortes, desabrigados e danos estruturais às cidades provocados pelos sucessivos fenômenos naturais cada vez mais violentos. A crise climática se apresenta quase sem escapatória. Ou se afundam cidades nas águas ou padecem grandes territórios de períodos imensos de secas intermitentes, caminhando para se transformarem em terras áridas sem chance de retorno ao estado de condições de serem habitadas
E daí não podemos ficar de fora dessa movimentação do mundo que se prepara para debater em 2025, no nosso Brasil, as formas de implementar medidas de contenção convincentes e consequentes ao aumento da temperatura global projetadas em 1,5 graus celsius para as próximas duas décadas. O brado dos povos de países reunidos na Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) tem sido o de se atingir o objetivo prioritário de evitar o aumento do volume dos oceanos e a redução da disponibilidade da água no planeta. Serão cerca de 193 países representados na próxima COP30 em plena região amazônica, na cidade de Belém do Pará, em novembro do ano que chega, antecedido desde já de conferências municipais de meio ambiente para retirada entre os brasileiros de delegados também em posteriores Conferências Estadual e Nacional de Meio Ambiente.
Temos em Camaçari um rico patrimônio natural não demarcado que vem sendo degradado e desperdiçado em detrimento das necessidades dos moradores e de se impulsionar o seu desenvolvimento. O município está inserido para efeito de planejamento e localização na Bacia Hidrográfica do Atlântico Leste em nível nacional, e em nível estadual, na RPGA do Recôncavo Norte e Inhambupe dentre outras classificações de bacias. Mas seus principais e importantes rios, como o Joanes, o afluente Camaçari, o rio Capivara, o Jacuípe e o Pojuca, lagoas e aquíferos diversos nas áreas de preservação ambiental, dotados de ecossistemas ímpares, amargam a falta de cuidados e proteção, além da invasão progressiva de seus espaços pelos interesses particulares.
Exemplo do descaso total é o do Parque Natural das Dunas no distrito de Abrantes, cujos últimos licenciamentos flexibilizam a construção civil em sua poligonal reduzida a menos da metade da poligonal original de 40 anos atrás. Camaçari, com 42 quilômetros de orla, acumula um passivo ambiental a ser considerado e que depende de articulações políticas envolvendo programas diversos de recuperação espacial para mitigar os efeitos hoje das alterações do clima. A cadeia de dunas interrompida e devastada pelo roubo de areia coloca sob risco e desequilíbrio ambiental a costa do nosso município, maior em extensão territorial do que a capital da Bahia Salvador.
Nela a ocupação imobiliária se dá em guetos privilegiados muito próxima das faixas de praias e nas próprias dunas destruídas com o intuito de ligar áreas à frente do mar. Isso tudo tira em muitos trechos da orla a natural proteção contra o avanço das águas do mar em toda sua grande extensao de praia do município. As dunas abrigam belas e raras espécies da Mata Atlântica e de áreas de restinga, servem como anteparo à invasão das águas e reduzem a salinização responsável pelas doenças respiratórias, pulmonares e de pele dentre outras que muitos danos trazem à saúde das pessoas e ao meio ambiente. Da mesma forma temos a ocupação irregular de segmentos pobres à beira de rios que também necessitam serem relocados em novas moradias em lugares mais propícios à vida digna com acesso à água.
São frequentes os conflitos advindos dessa lacuna de falta de limites não dados por parte dos poderes públicos que resultam muitas vezes em expulsões violentas pela posse de terras ou para construção de grandes empreendimentos. Incêndios criminosos nas matas e em áreas de preservação são quase que diárias perpetradas por invasores oportunistas que revendem terras como suas. As águas comprometidas, até em graus putrefeitos, como as do Rio Joanes na divisa com Lauro de Freitas, ficam sob ameaças constantes de contaminação pelo direcionamento de esgotos e lixo residenciais e de resíduos industriais.
Podem com o aumento da densidade demográfica no município perder qualidade para o consumo humano. Somente um plano global de despoluição e de saneamento básico disponibilizado em fundos nacionais e internacionais poderá recuperar rios em situação de morte inevitável como o Rio Joanes que abastece 40 por cento e tem o Polo Industrial e Petroquímico de Camaçari o seu maior usuário, sequer sem uma preocupação quase geral quanto ao reuso da água extraída.
Para mudar esta realidade devemos estar presentes com representantes neste grande encontro da COP 30 no Pará. Do ostracismo e deterioração causada por uma cidade improvisada, que queremos sustentável, Camaçari pode e tem todos os requisitos para superar a inferioridade imposta e vir a ser modelo de crescimento planejado, não mais um quintal da capital na chamada RMS carente de identidade própria.
Urge ousar para recuperar a piscosidade e a vida aquática dos rios e lagoas, reproduzir espécies em extinção, reflorestar onde existiam matas ciliares e outras áreas de restinga degradadas. A água precisa chegar limpa e tratada às torneiras de todo o município o que não vem acontecendo mas não por ineficiência da empresa pública de saneamento básico mas por falta de um investimento maior no trato com os recursos hídricos, rede de tratamento de esgoto e uma coleta de lixo seletiva ampliada e satisfatória que evite contaminar rios e mares.
Espera-se que além dos governos federal estaduais, as principais lideranças dos países ricos estejam também dispostos a investir aqui em ações de mitigação e adaptação aos impactos do colapso climático nas nações em desenvolvimento. Há ainda uma expectativa geral em obtenção de resultados em acordos para diminuição da dependência dos combustíveis fósseis. A apresentação de metas e compromissos de redução dos gases estufas e combate ao desmatamento com reflorestamento deverá ser bastante festejada pelos participantes da sociedade civil que deverá se fazer presente com número recorde de representantes, principalmente de indígenas e de populações ameaçadas de insegurança alimentar devido aos conflitos pela posse das terras e mau uso do solo pela ação nociva humana.




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