O babalorixá, historiador, filosofo, artista plástico e professor universitário, João Borges, marcou presença na sessão ordinária desta quinta-feira (28/11), na Câmara de Vereadores de Camaçari, em apoio a professora Sueli Santana, que foi apedrejada por três alunos dentro da Escola Rural Boa União, em Vila de Abrantes, no dia 28 de outubro deste ano. Para o religioso, o comportamento das crianças é um reflexo do que elas aprendem em casa.
“É preciso antes falar sobre racismo institucional, porque quando a professora traz o fato de que um grupo de estudantes se recusa que uma lei seja cumprida, isso revela algo que está intimamente enraizado na estrutura do pensamento das pessoas e da sociedade brasileira. E isso está dizendo o que? Que eu aceito que se conte a história a partir dos povos que dominaram, não a partir dos povos que foram dominados. Então, a escola é uma instituição. Por outro lado, essas crianças refletem a educação que recebem em suas casas e a orientação do ponto de vista de sua religiosidade”, afirmou.
Para o babalorixá, a professora Sueli “é a ponta de um iceberg”, e que muitos outros casos iguais e parecidos existem, mas que a educadora será o sujeito dessa mudança. “Do ponto de vista do racismo institucional deve ser combatido burocraticamente, com os ritos necessários que fazem com que as instituições públicas, privadas e terceiro setor, funcionem, que são as leis. Se não cumpre a Lei, ela diz como se agir diante de quem está a margem dela. Precisamos pensar também quem estimula esse tipo de coisa, quem são as instituições que fazem com que essas pessoas odeiem tanto uma outra pessoa em virtude de chamar Deus de outra maneira. É claro que são várias subjetividades relacionadas, mas o que a professora está dizendo é que um grupo de crianças, ou seja, seres humanos em processo de formação, já têm dentro de si sedimentado o comportamento odioso com relação a uma ou outra pessoa, só porque ela crer em Deus de uma forma diferente. Então, o que queremos para as nossas crianças? O ambiente escolar é um ambiente de diversidade”, concluiu.
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