Aos 29 anos, professor universitário, Kaique Ara, foi eleito vereador de Camaçari no pleito de 2024. O parlamentar mais novo da atual legislatura, chega com a expectativa de contribuir não apenas para o legislativo do município, mas também para “agregar valor às ideias e aos projetos que vão beneficiar o povo de Camaçari”, já que acredita que a cidade “se encontra isolada dentro de um cenário estadual e nacional”, e que a sociedade deu a resposta nas urnas.
O Portal, que tem entrevistado os vereadores reeleitos e os novos, encontrou Kaique Ara na Câmara Municipal, onde ele contou que foi dentro do movimento estudantil que se interessou pela política. “Lá foi sempre uma organização de mobilização muito forte nossa. Eu fui do Grêmio do Colégio Mascarenhas, posteriormente entrei na Universidade Católica, fui presidente do Centro Acadêmico Carlos Marighella, do curso de História. Então, lá eu pude me instruir sobre a organização dos movimentos sociais, e me organizar também no Partido dos Trabalhadores. Sou filiado ao PT desde os meus 16 anos, ou seja, estou nessa organização do nosso partido já há um bom tempo”, destacou.
Em 2020, Kaique Ara que nasceu na capital baiana, testou seu nome nas urnas, mas somente este ano, o camaçariense de coração, foi eleito com 2.130 votos. “Eu digo que fui emprestado para a maternidade de Salvador, mas meus pais são de Camaçari, e só nasci lá porque aqui não tinha maternidade, inclusive isso era um problema crônico que minha geração sofreu. Mas, eu sou nativo de Camaçari, meus primeiros dias de vida foi nessa cidade e tem sido assim até hoje. Eu tenho orgulho de dizer isso para os quatro cantos onde eu vou, e o meu sonho é que os filhos dessa terra não saiam daqui. A minha geração tem embarcado em um momento no qual a cidade não fornece condições de existência, de subsistência. Então o sonho da minha geração e das gerações que têm surgido para esse novo ambiente, é sair da cidade pela ausência de expectativa, de perspectiva, pela ausência de um campo fértil para que as pessoas possam sonhar”, salientou.
Kaique Ara, que sempre frequentou a Câmara Municipal, inclusive já foi estagiário no gabinete do ex-vereador Marcelino, salientou que conhece os trâmites do Poder Legislativo e que muitos sonhos não saem do papel, mesmo assumindo um mandato. “Muito por conta da burocracia, por conta da dificuldade em interlocução com nossos pares. Isso é muito natural, é da política e nós não podemos nos frustrar com isso. Acredito que parte daquilo que sonhamos junto com a sociedade precisa ser discutido, precisa passar pelo processo de convencimento dos outros vereadores e consequentemente do prefeito, para que as pessoas consigam efetivar essas políticas e essa vontade de mudança. Então eu sou uma pessoa de diálogo, e vou estimular diálogo nessa Casa, vou envolver a sociedade nisso para fazer com que esse bojo da política ganhe forma, ganhe corpo e a gente possa nesse próximo período legislativo, contribuir de forma mais avantajada, obviamente com a gestão do próximo prefeito Caetano”, afirmou.
O vereador eleito pontua que seus votos foram bem distribuídos na cidade, inclusive na costa de Camaçari. “Tive muitos votos nas comunidades, nos distritos, e isso me deixa muito feliz, inclusive, porque eu sou um defensor da agricultura familiar, do turismo, defensor de que nossos jovens da costa de Camaçari têm que ter os mesmos acessos, os mesmos direitos que os jovens da sede. Eu acampei uma luta em defesa do transporte universitário da orla da nossa cidade, da turma de Monte Gordo que descia na passarela para ir lá para o Beco da Cebola andando. Então nós enfrentamos, acampamos algumas lutas como também dos nossos pescadores, do nosso comércio, do nosso turismo, que precisam nesse próximo período ter uma valorização expressiva para que as pessoas saibam Camaçari também é uma indústria do turismo no cenário nacional”, disse.
Kaique Ara exaltou que tem pautas muito definidas e que vai levantar grandes debates na Casa Legislativa. “Pela primeira vez na história de Camaçari vamos ter um mandato que faça o debate racial, de juventude na sua própria essência, LGBT, coisa que nunca foi feito na história de Camaçari. Nós temos muito orgulho de dizer que vai ser um mandato extremamente aberto para o diálogo com os movimentos sociais. Entendo enquanto professor que sou, que o debate da educação não pode passar desespercebido, porque nós estamos vivendo um ambiente onde a educação perdeu tamanho e postura dentro da sociedade que vivemos. Camaçari precisa alcançar um patamar de cidades que arrecadam o que nós arrecadamos, que tem a pungência econômica que temos, e conseguem expressão fora do Brasil”, salientou.
Sobre a presidência da Câmara Municipal, Kaique Ara disse que seu grupo está dialogando com muitos vereadores que serão oposição na próxima legislatura. “É um fato que historicamente a Câmara sempre teve uma relação direta com o governo. Acredito que muitos vereadores que ganharam a eleição no campo do atual governo tendem a continuar sendo governistas, isso por conta do histórico da relação desses vereadores, por conta das bases políticas às quais eles dialogam, e que necessariamente precisam dessa relação com o governo para viabilizar as ações e os projetos dessas comunidades. Eu não tenho dúvidas de que a cidade está dialogando para que Caetano tenha um processo de governabilidade inteligente, até porque Camaçari não merece que a gente entre na Câmara de Vereadores, no parlamento, debates que não sejam propositivos para a cidade. Nós vimos uma Câmara que foi subserviente ao governo, o prefeito eleito não tem essa postura, então temos aqui a independência de fazer o debate político, de projetar os grandes movimentos e projetos para a cidade, e eu tenho certeza de que a parte que hoje ganha tende a vir dialogar para o próximo governo, porque historicamente são governistas e não conseguem talvez se manter na oposição”, mencionou.
Em relação as suas expectativas em assumir uma cadeira, o petista disse que são positivas. "Acredito que muitos dos nomes eleitos para essa próxima legislatura vão contribuir de forma qualitativa para a Câmara. Penso que precisamos fazer a partir do próximo período, debates ainda mais críticos do ponto de vista do olhar para a cidade, mas também apresentando soluções para esses problemas. Imagino eu que a Câmara que está se findando não conseguiu fazer um grande debate para a cidade e penso que a sociedade respondeu isso nas urnas. Acredito que precisamos fazer com que a sociedade se sinta representada no parlamento. Os vereadores, todos eles, inclusive eu, devem a responsabilidade, devem a resposta à comunidade e nós precisamos fazer isso de forma conjunta. Eu quero já adiantar que tenho muita disposição de aprender, de ajudar a contribuir também com os debates e não quero fugir de nenhum, até porque essa Casa é a máquina de ressonância dos problemas da cidade, é por aqui que nós iremos ajudar a solucionar parte desses problemas”, finalizou.




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