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Camaçari

Sessão ordinária tumultuada em Camaçari, com muitos gritos e até calcinha jogada no meio no plenário

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A primeira sessão ordinária realizada na Câmara de Camaçari na manhã desta quinta-feira (31/10), após o segundo turno da eleição municipal, foi marcada por tumulto, gritos, torcidas, discursos fortes e até uma calcinha vermelha jogada no meio do plenário. Os 13 vereadores de situação presentes, os reeleitos e os que não vão retornam para a Casa na próxima legislatura, declararam que farão oposição ao governo municipal, que vai assumir a partir de 1 de janeiro de 2025.

O vereador reeleito Dr. Samuka (PRD) falou sobre o processo eleitoral, em especial, do que disse ter presenciado em escolas eleitorais de Vila de Abrantes, envolvendo as forças de segurança. “A briga foi feia lá, colocamos advogados nos três colégios, e foi guerra o dia todo. Que política foi essa em Camaçari, eu nunca vi um negócio desse, tudo pelo poder. E aí quero fazer uma nota de repúdio contra a Polícia Militar, o governo do estado e o governador Jerônimo Rodrigues, que vergonha, venceram no tapetão. O processo eleitoral de Camaçari não foi democrático, porque o povo ficou amedrontado, prova disso foi que mais de 40 mil eleitores deixaram de exercer o seu direito de cidadão, porque ficaram com medo, encurralados dentro de suas casas, com medo da polícia, de facção criminosa, porque colocaram o poder paralelo e o poder oficial contra o povo”, afirmou.

Ovacionado, o vereador mais bem votado, Dudu do Povo (União), iniciou sua fala dizendo que estava feliz, “que não tinha corpo dentro de caixão para velar”, prova disso era a militância presente. “Se estavam esperando velório, ter dor, ter choro e café em volta do corpo, esqueçam, porque a tropa de Camaçari tá na Casa. Eu quero dizer que não quero choro e nem boca torta, quem ganhou governa, e quem ainda está no processo somos nós para ditar a regra da fiscalização. Quem está pensando que vai deitar e rolar na nossa cidade, pode pegar seu cavalinho e tirar da chuva, porque tem vereador da favela aqui dentro. Quero dizer que não temos 14 vereadores na bancada, nós temos 14 guerreiros do exército, e se nenhum se prostituir atrás de dinheiro, a tropa continua, estaremos firmes e fortes fazendo a vontade de Deus e do povo de Camaçari”, disse aos gritos.

O vereador Ivandel Pires (União) pontuou que os adversários mobilizaram grandes políticos do país, como o presidente Lula, para enfrentar o seu grupo. “Eu sou novo na política, mas nunca tinha visto isso na história, ou seja, deu a entender que no mínimo se sentiram acuados com a possibilidade de vitória de nosso grupo. Mas, diante mão, queria deixar bem claro que iremos andar juntos Flávio e Professora Angélica, com ou sem mandato, serei amigos de vocês com ou sem mandato. Ano que vem vai ter vereador preto nessa Casa, e a minoria com Deus na frente, sempre vence. Tivemos várias propostas, mas escolhi caminhar junto com o povo, porque o povo escolheu a gente pra isso. Gostaria de deixar claro que se fosse por causa de dinheiro, eu nem estava mais aqui com vocês. [...] Parte da população de Camaçari escolheu a gente para ser oposição, já que escolheram isso, seremos 14 vereadores de oposição nesse município”, destacou.

Para o vereador Herbinho (União), seu grupo não perdeu a “guerra”, mas sim uma “batalha” com o resultado da eleição no último domingo. “Vamos ganhar a próxima, que vai ser aqui na Câmara em 2025, com nosso grupo unido, com 14 vereadores, vamos ter a presidência da Câmara. Nós vamos pautar eles, não vamos deixar eles criarem cargos para honrar com os compromissos que fizeram, vão querer criar secretarias, só que tudo passa pela Câmara, e o que depender desses guerreiros, desses vereadores, nós vamos decidir juntos. Tivemos ontem uma boa conversa e senti que vamos seguir juntos por um propósito só, que é cuidar de Camaçari e do nosso povo”, exaltou.

O vice-presidente da Câmara, vereador Niltinho (PRD), falou do orgulho de fazer parte do time azul, e reafirmou que dia 1º de janeiro, seu grupo vai dar uma resposta ao governo eleito. “São 14 vereadores dessa Casa que não se rendem e nem se vendem, que sabem da importância de ficar do seu lado [Flávio Matos]. A cidade está esperando esse momento, Camaçari vai ter uma Câmara ainda mais fiscalizadora. Quero ver como eles vão administrar, se for tudo muito certo para o povo de Camaçari, vamos estar lado a lado com eles, mas eu quero ver é eles cumprirem o que prometeram, porque em janeiro tem presidente e oposição, e desses 14 eu vejo a lealdade, vereadores que vieram da favela dessa cidade pra muito bem representar o povo”, pontuou.

Na oportunidade o vereador Dr. Natan (PSDB) falou que vai cobrar do governo as promessas de campanha. “Eles prometeram em outra gestão a retirada de linha de trem, a vila olímpica, o Rio Camaçari limpo e navegável, e nada disso foi cumprido, mas nós vamos estar aqui cobrando o transporte público de graça para a população, porque foi proposta do prefeito na sua campanha, que Camaçari teria transporte com tarifa zero. Nós não vamos permitir mais uma mentira, vamos cobrar dentre outras promessas que foram feitas. [...] Estaremos unidos, firmes na resistência. A população de Camaçari pode ficar tranquila que esses 14 vereadores permanecerão unidos. Não seremos contra a cidade, projetos que beneficiarem essa cidade passarão”, afirmou.

O vereador Jamessom (União), mais uma vez surpreendeu os presentes trazendo um itém e jogando no meio do plenário, desta vez uma calcinha vermelha. “Isso aqui é para os covardes que vestiram calcinha, e o povo sabe pra quem é. É dinheiro na mão, calcinha no chão. São covardes, mas aqui tem homem, subiram a colina maldita de calcinha. A oposição vai ser nesse nível, vai doer e eu vou apertar. Pode ameaçar, eu estou aqui pra enfrentar qualquer coisa, venham pra cima que eu estou preparado. E é nesse clima que eu gosto de fazer política, eu não gosto de calmaria, se quiser paz comigo, não vai ter”, declarou.

O último parlamentar a assumir a tribuna foi Dentinho do Sindicato (PT), que não conseguiu discursar por conta da intervenção da plenária, que aos gritos e vaias não deixou o parlamentar exercer o seu direito de fala, como autoridade política e vereador da Casa Legislativa. O presidente Flávio Matos por quatro vezes pediu silêndio ao público, sem sucesso. O presidente em exercício tentou também e por não ser atendido, encerrou a sessão. 

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