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A dança das cadeiras em Camaçari: O vai e vem dos candidatos e o preço pago pela população

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Nas eleições municipais de Camaçari, a disputa pelo segundo turno entre Luiz Caetano e Flávio Matos expôs uma prática recorrente, mas nem sempre clara: a migração política de candidatos que, após serem derrotados nas urnas, mudam de lado com novos discursos, muitas vezes em contradição com suas posições anteriores. Candidatos que disputaram vagas tanto para prefeito quanto para vereador, mas não se elegeram, agora realinham seus apoios, num movimento que tem gerado estranheza e desconfiança por parte do eleitorado.

Esse "pula-pula" entre alianças e apoios revela as nuances do jogo político, onde, por vezes, antigos adversários tornam-se aliados de ocasião. Mas o que, de fato, motiva essa mudança repentina de lado? Seria uma questão de convicção política ou apenas uma estratégia de sobrevivência eleitoral? Para muitos, a resposta parece evidente: a manutenção de relevância no cenário político local, mesmo que isso implique em uma rápida reconfiguração de discursos.

Para o eleitor, o impacto é claro. A confiança, já fragilizada, é abalada ao ver candidatos que, até ontem, criticavam com veemência os adversários, mas agora os apoiam sem ressalvas. O sentimento que fica é o de que as promessas e ideais defendidos durante a campanha foram apenas parte de uma encenação. Nesse jogo de interesses, quem mais perde é a população, que se vê à mercê de um espetáculo onde seus reais anseios parecem estar longe de serem priorizados.

Esse vai e vem de apoios não é um fenômeno exclusivo de Camaçari, mas, neste contexto, ganha contornos ainda mais preocupantes, dada a necessidade de uma gestão que enfrente os desafios da cidade com seriedade. Mais do que o simples resultado de uma eleição, o que está em jogo é o futuro de Camaçari, e a cidade precisa de lideranças comprometidas com o bem coletivo, não com seus próprios interesses políticos.

E o que dizer da credibilidade desses candidatos? Mudanças estratégicas fazem parte da política, mas quando essas mudanças se baseiam apenas em conveniências eleitorais, o discurso de renovação se perde. Para a população, a percepção é de que tudo continua igual, enquanto os políticos seguem dançando conforme a música do poder.

Em meio a essa dança das cadeiras, quem realmente sai ganhando? A curto prazo, aqueles que conseguem manter-se em evidência e garantir um espaço em futuras negociações. Mas a longo prazo, quem sai perdendo é o sistema político como um todo, que vê sua credibilidade sendo corroída aos olhos de uma população cada vez mais descrente.

Camaçari, assim como muitas outras cidades brasileiras, precisa urgentemente de uma política coerente, voltada para o bem comum. As eleições deveriam ser a oportunidade para escolher líderes verdadeiramente comprometidos com essa missão. Mas diante desse "pula-pula" de apoios e alianças, cabe ao eleitor refletir: quem está, de fato, preocupado com o futuro da cidade e quem está apenas tentando se manter à tona?

Enquanto os políticos mudam de lado, quem paga o preço é o povo. E a pergunta que fica é: até quando seremos meros espectadores dessa dança interminável?

 

Vânia Vìgo é jornalista, escritora e pós graduada em jornalismo político

Por: Vania Vigo

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