O artista plástico Deo Senna, responsável pela decoração do barco que levou os presentes de Iemanjá, em cortejo religioso marítimo realizado na manhã da última sexta-feira (02/02), pontuou em entrevista ao Portal sobre os desafios de criar algo bonito e biodegradável. Na oportunidade, ele ainda falou sobre cultura, arte, turismo e gestão municipal.
A convite dos organizadores do cortejo, Deo Senna trabalhou na decoração do barco por 15 dias. “Fiquei muito feliz porque é algo que faz parte de nossas tradições, faz parte daquilo que a gente acredita como cultural dentro do município e do estado também. A única exigência era que o barco fosse biodegradável, para além de respeitar a mãe Iemanjá, respeitar também o mar. Foi uma luta para encontrar esses materiais, mas o resultado superou as minhas expectativas. É importante porque a gente leva arte para algo que é tradicional no município, para algo que é cultural, e a gente coloca a cultura do artesanato também em ascensão”, exaltou.
Sobre o movimento turístico na costa de Camaçari, que aumenta com os festejos populares e tradicionais da orla, Deo acredita que as manifestações culturais precisam ser mais valorizadas. “São eventos e festas como essa que enriquecem o município, o turismo, a nossa cultura, e que não podem acabar, muito pelo contrário, tem que ser expostos e expandidos muito mais, como eventos calendarizados para que a gente atrair o turismo para cá. Em Camaçari nós temos zona rural, sede e orla. A sede é Polo Petroquímico e as empresas, mas a orla e zona rural é para o turista, é para o turismo. É uma forma também da gente trazer recursos para aquele individuo, que está na base da nossa cultura, se manter e também levar o nome do município para o mundo. São quilômetros de orla, uma história de fundação muito próxima com a de Salvador, e nós ainda estamos atrás de municípios bem menores, sem querer diminuir esses municípios, mas a nossa história, cultura, arte, são infinitamente mais ricas”.
Para o artista plástico, que já foi conselheiro de cultura de Camaçari, um dos grandes problemas das gestões municipais no quesito cultura, é a não continuidade do que está dando certo. “Eles acabam o que já existe e começam tudo do zero. A gente cria um grande retrocesso de 10, de 20, de 30 anos. Que dê continuidade aos grandes projetos que o município tem, aquilo que é histórico, que é cultural, para que a gente consiga alcançar essa maior idade que não chega nunca. Eu tenho mais de 30 anos trabalhando com a cultura no município, e o sentimento que eu tenho é que em 4, em 4 anos, a cultura vai se reinventando, vai se recriando e a gente não ver maturidade nisso. Temos uma cultura forte, bonita, então vamos dar apenas continuidade as coisas boas. Tem muita gente técnica, que não é político partidário dentro do município, que precisa desse olhar das gestões, para que possam se desenvolver”, finalizou.





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