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Camaçari

População participa efetivamente de Audiência Pública sobre a falta de água em Camaçari e faz duras críticas a Embasa

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Com o objetivo de tratar da crise hídrica que tem vivido a população de Camaçari, tanto na sede quanto na orla, a Câmara Municipal realizou na tarde desta quarta-feira (08/11), uma Audiência Pública, proposta pelo presidente da Casa Legislativa, Flávio Matos (União). Estavam presentes, representantes da Embasa, da Coelba, das Secretarias de Turismo (Setur), de Serviços Públicos, de Infraestrutura, além de lideranças comunitárias e a sociedade civil organizada.

Para explicar sobre o motivo da intermitência do serviço e falta de água no município, foi convidado o preposto da Embasa, o gerente regional, Laesandro Araújo. Na oportunidade foi apresentado os investimentos em andamento, como a obra de ampliação do Sistema de Abastecimento de Água, com previsão de conclusão para fevereiro de 2024. Já em relação aos problemas operacionais recentes, após revisão nos sistemas de esgotamento sanitário e de abastecimento de água, o gestor disse que a análise crítica mostrou que as causas foram recorrência de falta de energia, paralização dos poços devido a furtos, baixa vazão e qualidade da água, bem como o aumento da demanda em áreas turísticas, onde se encontra a população chamada flutuante.

Laesandro, que assumiu o cargo de gerente da unidade de Camaçari há cinco meses, ressaltou após diversas interferências da plenária durante a sua fala, ser relevante a Casa discutir as problemáticas do município, e que não estava ali para dar desculpas fantasiosas. “Pelo contrário, a gente veio aqui debater os temas pertinentes, os problemas que ocorreram, e também demonstrar as soluções e os investimentos que a Embasa está fazendo para melhorar a condição do abastecimento de Camaçari, sobretudo por entender que é um município que tem um crescimento exponencial muito forte, principalmente na região da orla, onde temos uma atenção bem interessante nesse sentido. Sobre a qualidade da água a gente precisa identificar as problemáticas, são casos que preciso verificar de perto. Tivemos o desafio do desabastecimento no feriado, e nossos esforços realmente foram imensos para poder resolver esse problema. Vamos verificar cada caso de perto, para ver o que está acontecendo e pode ter certeza que a gente vai sanar esses problemas o mais rápido o possível”, garantiu.

O público teve direito a fala e muitos moradores de Arembepe participam efetivamente com perguntas, depoimentos e desabafos. "Você ver Camaçari em 2023, uma das cidades que mais cresceu na região metropolitana, com um boom imobiliário, a costa deu um salto, e não teve investimento, principalmente em saneamento básico. Um dos principais rios de Vila de Abrantes, o Joanes, acabou por conta do esgoto de Lauro de Freitas, Simões Filho e de Camaçari. Então acho que a população tem que cobrar do governo do estado, efetivação do serviço essencial básico que são o abastecimento de água e coleta de esgoto. Camaçari é a maior cidade da região metropolitana, tem uma importância enorme para a Bahia, a segunda maior renda do estado, arca com boa parte da renda do estado, e porque esse volume de riqueza que Camaçari produz não volta pra gente, é inconcebível", pontuou Fabiana Franco.

Também morador de Arembepe, o líder comunitário Geni Tavares fez questionamentos ao preposto da Embasa, que segundo ele, não foram respondidos. “Existe uma crise de água em Arembepe e o responsável da Embasa disse na audiência que não chegou nenhuma reclamação lá. Todo mundo viu que no feriadão que fomos nos manifestar na pista [BA-099] por conta da falta de água. As baianas de acarajé sofrem, os ambulantes sofrem, o pessoal que aluga casas sofre, eles vão a praia e na volta entregam a casa por falta de água, isso gera um prejuízo enorme para nós e para os restaurantes também. Já passaram décadas e a Embasa não apresenta um projeto consistente que possa manter o serviço. Sabemos do crescimento, do boom de novos condomínios na orla, mas a empresa precisa se preparar porque tem recursos para isso. Saio triste daqui [da Audiência] porque as quatro perguntas que fiz não obtive resposta sobre uma solução”, afirmou.

Outra moradora da costa, Chimenes Santos, demonstrou "decepção" com o que foi exposto pela Embasa. “Vi uma apresentação de números, de termos técnicos, que não nos explicou nada. Nós não somos técnicos da Embasa, queremos solução. Ele [preposto da Embasa] apontou um problema, o aumento de pessoas nesta época do ano que frequentam a orla de Camaçari, mas isso é óbvio, nós temos 42 quilômetros de orla costeira, quando tem um feriado Arembepe, Barra do Jacuípe, Itacimirim, Guarajuba e Jauá ficam sem água, mas a costa vai encher sempre, vai ter gente sempre nas praias de Camaçari. Todo final de ano a gente fica com essa sensação de cuidado, porque sabe que vai faltar água, até quando isso. Não quero os culpados, quero solução. Imagine em uma CTI faltar energia, não morre todo mundo porque tem gerador, e cadê o gerador da Embasa, com os valores absurdos que pagamos”.

De acordo com o vereador Gilvan Souza (PSDB), antes os problemas com a falta de água eram localizados geograficamente, hoje é uma questão de toda a cidade. “Essa discussão me preocupa porque não é uma briga de classe, de rico ou pobre, de condomínio ou rua, falta água em todos os ambientes. Alguns lugares tem seus reservatórios e acaba não percebendo isso. A Embasa justificou em alguns aspectos sobre a falta de continuidade, a exemplo de furto, a falta de fornecimento de energia estabilizada para o funcionamento de suas bombas em poços de grande profundidade, que para se recompor é preciso de horas, dias. Tem um poço fora de funcionamento que irá se estabelecer na ordem de voltar a fornecer água nos próximos sete dias. Temos um contrato de 20 anos assinado em 2007, que venceu em 2017, com renovação automática, se não houver um posicionamento de ambas as partes, que está ativo só que a gente precisa aditivar com novos valores, novas necessidades apontadas pelo município, para dar continuidade ao serviço atual, com uma nova geografia, uma nova população, com uma nova densidade demográfica da cidade, que é tudo diferente das demandas de 20 anos atrás e que existem hoje na cidade”.

Em seu discurso, o vereador Tagner Cerqueira (PT) destacou que foi um desrespeito a Coelba estar presente e não responder sobre as quedas de energia, que contribuem para o desabastecimento, e que “não taparia o sol com a peneira”, mesmo sendo da base do governo do estado. “Diferentes de muitos, eu assumo a responsabilidade, porque sou vereador de Camaçari, não sou engenheiro ambiental, não sou especialista em crise hídrica, sou representante do povo e venho aqui também para reclamar. O objetivo central da Audiência Pública é ouvir e também encaminhar saídas. Foram apresentados aqui pela Embasa vários dados de investimentos, porém ficamos preocupados porque tem um volume de investimentos, mas temos ainda problemas crônicos no Gravatá, Ficam, Parque Verde, nos extremos da cidade. É difícil falar sobre resolver o problema em 20, 30 dias, porque quem está sem água quer que resolva de imediato, mas o que a gente precisa é de um estudo que mostre uma resposta exata. E outro problema é a comunicação ruim da Embasa com a população. Já questionei e vou falar novamente, está errado o atendimento pelo portão e por WhatsApp”.

Em entrevista ao Portal, o presidente da Câmara Flávio Matos (União), exaltou que apesar o sentimento de esperança que o problema será resolvido, ele acredita que “falta mais envolvimento de quem realmente pode resolver” a questão. "Trouxemos a duas aqui [Embasa e Coelba], mas o povo não está reclamando de falta de energia, está reclamando de falta de água, então não adianta terceirizar o problema e dizer que a culpa é apenas da Coelba e não investir em tecnologia para que não dependa dela, porque não compra um gerador por exemplo, para ficar de reserva. São quase R$ 600 milhões de reais de lucro, será que não dar para comprar um gerador para as nove unidades que tem? Para uma emergência de uma queda de energia, na interrupção do fornecimento, e o gerador entrar para que as pessoas não fiquem sem água? É muita desculpa e pouca resolução de problema. Então a Audiência foi nesse intuito para apertar essas empresas para que respeitem a população”, finalizou.

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