Entre no
nosso grupo!
WhatsApp
  RSS
  Whatsapp
Traduzir:

Camaçari

Mulher que feriu policias na 26º DT de Abrantes durante uma crise psicótica é transferida para o Juliano Moreira

Compartilhar com UTM
Link copiado! Agora você pode colar o link com UTM no seu Instagram.

O caso da mulher que entrou na 26º Delegacia Territorial (DT) de Vila de Abrantes, na última terça-feira (12/09), durante uma crise psicótica, e feriu dois agentes com uma faca, ganhou um novo rumo, após a audiência de custódia realizada na manhã desta quinta-feira (14/09), no Fórum Clemente Mariani, em Camaçari. Elisabete da Silva de Souza, 42 anos, será transferida da unidade policial, para o Hospital Juliano Moreira, onde vai continuar o tratamento de transtornos mentais, que realizava no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps II), no distrito.

O Portal esteve no Fórum e conversou com profissionais de saúde do CAPS, que acompanham o tratamento de Elisabete. “Ela é uma usuária do serviço já há um bom tempo, faz uso de medicações. É uma pessoa muito querida na comunidade, é meiga com a família. Antes de mais nada é importante deixar claro que ela é uma pessoa que sofre de transtornos mentais, e o que a sociedade tem dificuldade de entender, é que ela é uma pessoa que no momento do ato estava em uma crise auditiva, ouvindo vozes, psicótica, se sentindo perseguida, com toda uma trama na cabeça dela e só ela sabe desse sofrimento que estava passando”, explicou a enfermeira e gestora do CAPS de Abrantes, Marla Bitencourt.

O CAPS além de atuar na rede de saúde, também trabalha com o social e na esfera jurídica. “Ele adentra quando necessário em vários setores, ligados a necessidade do sujeito admitido no serviço, no sentido de estarmos presentes para dar esse acolhimento ao usuário. Nessa audiência de custódia, nos colocamos aqui enquanto CAPS, no sentido de dar continuidade e defender o tratamento dela [Elisabete] em liberdade. Confirmamos que poderíamos atestar isso através de relatório, que iriamos intensificar seu cuidado diante do ocorrido. Tudo isso foi ponderado, e fez com que o juiz tomasse a decisão de não deixar ela restrita em uma delegacia ou um presidio”, salientou a gestora.

Na oportunidade, a enfermeira Marla Bitencourt ressaltou a necessidade da implantação de leitos voltados para pacientes com transtornos mentais, em hospitais gerais do estado. “Precisamos garantir o cuidado desses pacientes, porque temos pessoas com crises cardíacas, hipertensivas, crises diversas e porque não agregar também crises de ordem psiquiátrica. É contemplado pela portaria federal, de que a rede é formada por vários pontos, dentre eles vagas em hospitais gerais para leitos psiquiátricos. Então Elisabete por exemplo, poderia ser transferida para um hospital geral, e o CAPS estaria junto, trabalhando em seu cuidado, mas por conta dessa falta de leitos, ela foi encaminhada para o Juliano Moreira, para ela seguir o tratamento. Volto a pontuar que ela não tem que responder em nenhuma penitenciária, porque ela está doente, ela está em crise”, disse.

Segundo relatos, Elisabete tem uma rotina de dona casa, já inclusive cuidou de um idoso que mora em sua rua, tem relações familiares e vínculos afetivos fortes na comunidade. “O problema dela é de saúde, e não judicial. Ela foi encaminhada para a justiça porque houve o episódio, mas é uma pessoa que durante um longo tempo, cerca de 10 anos, estava bastante estável.  Ela adoeceu muito cedo, precocemente, desde os 17 anos, por conta das circunstâncias da vida, e dela como pessoa. Em alguns momentos, como acontece em nossas vidas também, a gente não consegue precisar, houve uma descontinuidade no uso da medicação, isso é comum acontecer em pacientes psiquiátricos, quando estão bem não entendem que precisam continuar a medicação que sozinha não funciona, mas é importante. Ela não é uma pessoa agressiva, foi um episódio de agressividade direcionado por uma questão especifica. Ou seja, é uma questão de saúde, e não de criminalidade”, exaltou a artista plástica e servidora do CAPS, Inês de Oliveira.

Acompanhando a audiência, junto com familiares, estava Cleidiane Silva, que teceu elogios a Elisabete. “Quando vimos as reportagens na televisão mostrando a foto de Bete, porque ela tinha agredido o policial, a comunidade ficou chocada, até porque não é o perfil dela. Ela é uma pessoa meiga, carinhosa, amável, brincalhona, e não demonstra perigo para a comunidade. Ela tem essa doença há anos, após o parto da filha dela. Ela agora vai ser transferida para continuar ao tratamento, vai ficar boa e voltar para o convívio da família dela e dos amigos. A comunidade está orando por ela e pedindo a Deus que ela volte logo”, pontuou.

Links de matérias relacionadas:

https://www.portalabrantes.com.br/noticia/35014-dois-policiais-sao-esfaqueados-na-26--dt-de-abrantes-e-mulher-e-detida-em-flagrante-acusada-de-cometer-o-crime

https://www.portalabrantes.com.br/noticia/35023-crime-dentro-da-26--dt-de-abrantes-mostra-falta-de-estrutura-da-unidade

Mais em Camaçari

Notificação de Nova Postagem
Imagem