Durante a sessão ordinária desta quinta-feira (10/08), na Câmara Municipal de Camaçari, um grupo de vigilantes realizou uma manifestação pedindo respeito, após o vereador Jamelão (União), gravar um vídeo, bastante exaltado, na recepção do Hospital Geral, onde acusa um servidor de impedi-lo de visitar uma amiga. A categoria foi até a Casa Legislativa solicitar uma retratação do parlamentar.
Com cartazes e uma faixa em mãos, os vigilantes interromperam a atividade em plenário e pediram para serem ouvidos. Uma comissão foi atendida pelos parlamentares, que foram solidários a categoria. "O vereador Jamelão se excedeu, está disposto a gravar um vídeo pedindo desculpas ao vigilante ofendido. Ele repensou sobre sua postura, entendeu que passou do ponto, e nós entendemos que isso aconteceu por conta do calor da emoção do momento. Nós não concordamos com o que aconteceu e vocês estão certos em buscar a Casa do Povo”, salientou o vereador Niltinho, que presidiu a sessão de hoje.

Apesar de aceitarem o pedido de desculpas da Casa, representantes do Sindicato de Vigilantes de Camaçari e Região Metropolitana de Salvador (Sindmetropolitano), destacaram que pretendem acionar outras instâncias, inclusive a União dos Vereadores do Brasil (UVB). “Nós concordamos com a nota de retratação da Câmara, mas pretendemos processar o vereador, porque o vigilante estava em seu local de trabalho seguindo a determinação de seus superiores, quando foi humilhado e exposto nas redes sociais”, disse o diretor executivo do Sindicato dos Vigilantes de Camaçari, Geraldo da Silva.
O vereador Jamelão não participou da reunião entre a categoria e os parlamentares. Em nota, a Câmara disse que “não compactua com qualquer tipo de desrespeito a trabalhadores e trabalhadoras, especialmente quando estes estão no exercício das suas funções. Também reafirma o respeito ao cumprimento das regras de funcionamento e acesso de instituições públicas, empresas privadas e demais entidades, entendendo que essas regras devem ser respeitadas por todos os cidadãos que queiram adentrar às suas dependências”.
O texto ainda ressalta que “agressão verbal ou física e desacato a funcionário público no exercício de sua função ou em razão dela é crime previsto no Código Penal brasileiro, passível de punições conforme a gravidade do caso”, e que diante do ocorrido, a Câmara repudiava “toda e qualquer agressão deste tipo, que atinge não só o profissional, mas também a sociedade a quem ele serve”.
A nota conclui dizendo que a Casa Legislativa “segue à disposição da categoria e sempre atenta para atender de maneira célere e assertiva as demandas apresentadas pela categoria”. O texto não fala em nome do vereador e nem sua posição em relação a manifestação da categoria.
Entenda o caso:
No último sábado (05), o vereador Jamelão (União) postou um vídeo em suas redes sociais, onde acusa o vigilante de impedir a sua entrada no HGC para visitar uma amiga. “Esse vigilante é o dono daqui. Mostra sua cara, vigilante, que você é o dono daqui. Você tá com medo? Tá com medo, vigilante? Seja homem, fale aqui que eu não posso entrar, seja homem, mostra a cara, vigilante. Você não é homem, não?”, diz nas imagens.
Na sessão de terça-feira (08), o parlamentar assumiu a tribuna nos assuntos gerais para explicar que tomou essa atitude após ouvir o vigilante falar com alguém no telefone, que ele estaria “usando alguma coisa”. O vereador Jamelão disse que pediu para ele repetir, já com a câmera do celular ligada, mas o servidor não falou novamente.
Na legenda do vídeo, Jamelão diz que é uma vergonha um “vereador da cidade, como um representante do povo”, ser “barrado pela gestão do Governo do Estado".
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Reprodução do vídeo





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