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Camaçari

Biólogo Lourenço Oliveira marca presença em oficina do PDDU realizada em Abrantes e participa de Papo Aberto, Papo Reto do Portal

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O Portal acompanhou a 6º oficina de revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Camaçari, realizada na última terça-feira (27/06), na Escola Elisa Dias de Azevedo, em Vila de Abrantes, assim como o biólogo, sanitarista e coordenador da Vigilância e Saúde Ambiental, vinculado ao Ministério da Saúde e Meio Ambiente, Lourenço Oliveira. Na oportunidade, fizemos uma Papo Aberto, Papo Reto com o ambientalista, que falou sobre a construção do documento e outros assuntos relacionados a gestão pública de Camaçari.

Lourenço Oliveira relembrou que esteve presente na construção do último PDDU e que a atualização do documento “é sempre uma nova esperança” para o município. “Há 15 anos o Plano viabilizou em 60% a implantação de várias obras no município, e a minha preocupação hoje como biólogo, ambientalista e gestor da APA de Joanes/Ipitanga, é que esse PDDU que está sendo feito, não contemple a questão da limitação técnicas para que se tenha preservação no município. O que a gente nota hoje é uma perda constante de território que está sendo ocupado, hora por pessoas que realmente necessitam e hora por especuladores imobiliários, e a área pública, que é o maior patrimônio de Camaçari, e quem mora na orla sabe disso, que seria o Parque das Dunas de Abrantes e Jauá, que seria basicamente para o lazer da população não apenas contemplativo, mas que iria estimular o comércio, a indústria, novos empreendimentos comerciais e hotéis para a região, e o que a gente ver é que isso não está sendo contemplado. A gente percebe hoje que o município está perdendo muito espaço e é uma tristeza a gente conhecer a implantação de uma parque dentro de Camaçari, que foi pensando e planejado em várias gestões, louvamos a gestão de Elinaldo pela implantação, mas também pedimos que essa implantação seja física e não fictícia, não só no papel. E enquanto cidadão, servidor e biólogo, a minha preocupação é que a preservação ambiental seja contemplada no PDDU de Camaçari”, salientou.

Para o biólogo, o Plano precisa focar mais na preservação do meio ambiente. “Camaçari deixou há muito tempo de ser uma cidade de dormitório. Nós temos hoje uma área da orla marítima, que basicamente você chega de Jauá até Arembepe, e não percebe nenhuma estrutura de empreendimento capaz de suportar grandes hotéis, áreas de lazer para a população, e vai ter gradativamente uma degradação. O PDDU terá que ser feito com uma questão de limitação de andares na orla, de edificações, da oportunidade que se faça desapropriações, e não venda de terrenos públicos, em nome de criar áreas de lazer para a população. Temos ali o camping de Jauá, uma área que está abandonada, que poderia se fazer um retorno, fazer realocação das barracas. Tive em Maceió e em Aracaju recentemente e nesses lugares a orla é totalmente planejada. Cada vez mais as praias de Jauá e Arembepe, vão deixar de ser frequentadas. Parece que existe uma degradação dessas áreas, para que depois o especulador imobiliário venha comprar a 'preço de banana' e a gente vai perder espaços públicos que podem ser feitos ali. Então a primeira coisa que eu faria seria o ordenamento do uso do solo rígido”.

Sobre a ocupação desordenada do uso do solo, em especial na orla, Lourenço acredita que Camaçari “nasceu praticamente uma cidade grande, com a implantação do Polo”, mas que está regredindo em seu desenvolvimento. “A Região Metropolitana se transforma e a gente parece que anda para traz. Não vemos um planejamento estrutural para o desenvolvimento dessa cidade, a gente ver é a troca de favores. A Prefeitura de Camaçari tem por obrigação dar destinações a essas invasões. Se implanta terrenos para o Minha Casa Minha Vida, retira essas pessoas dessas áreas invadidas e reconstrói a questão urbanística da orla de Camaçari. Abrantes é um exemplo disso, é um dos locais mais desenvolvidos da orla de Camaçari, um local com uma população intensamente constituída por pessoas de fora, e que hoje se estabelecem nesse local, mas não entendem, não compreendem, como têm uma proximidade tão grande com a orla e não têm acesso a praia. Então a MRV, OAS, que fazem os empreendimentos aqui, vendem como ‘a 10 minutos da orla’, como se Abrantes tivesse praia. Abrantes tem praia? Tem, só que as pessoas não têm o acesso. Mas por que? Essa é a pergunta que faço desde que vim morar aqui há mais de 20 anos. E não tem uma autoridade pública que responda. Se a gente conseguiu ligar Abrantes a praia de Jauá, como a gente não consegue ligar Abrantes a sua própria praia? A gente iria até amenizar a pressão social que Busca Vida sofre e Jauá também, dando a opção de Abrantes ter uma praia, iria valorizar os terrenos, o comércio, a qualidade de vida da população, e a gente vai ter um desenvolvimento muito mais ordenado na orla”.

Em relação a Abrantes, o biólogo defende que o distrito seja mais valorizado. “Aqui não pode ser considerado um ponto favelizado da orla de Camaçari. Temos que parar de pensar que Abrantes é o 'patinho feio da orla', porque Abrantes por si só tem capacidade de eleger qualquer prefeito. Se pegarmos os novos empreendimentos que estão sendo construídos aqui, conjuntos habitacionais, com apelo de lugar aprazível turístico, com proximidade da orla, de shoppings, de locais com Busca Vida, Vila do Atlântico, é um espelho turístico. Conseguimos fazer isso em Lauro de Freitas e não conseguimos fazer em Abrantes. Então é esse tipo de coisa que temos que pensar, em revitalizar Abrantes como um todo, a questão de abrir novas vias urbanas. Passei aqui em uma via a poucos metros da escola, que antes ela lama pura, mas que por vontade política do atual prefeito Elinaldo se pavimentou, em Morada Nova, a Rua do Encanto, que as pessoas faziam apelo porque moravam dentro da lama. Então é esse tipo de ação que eu vejo que gente tem que visualizar e contemplar. Não temos só as estrelas como Guarajuba, Itacimirim”, exaltou.

A quantidade de habitantes de Abrantes e força econômica do distrito, também foram pautados por Lourenço Oliveira. “Se você somar a população fixa de Abrantes, com todas as localidades da orla, e olhe que estou dizendo com conhecimento de causa e levantamentos de dados, tem mais contingente populacional que todas as localidades da orla juntas. Então se Abrantes fosse um município, emancipada, teria um potencial muito grande. Um prefeito lançando uma base política aqui dentro, seria eleito, faria uma grande bancada de vereadores, mas que se comprometam com a cidade, porque o que percebemos hoje é a falta de compromisso, sistêmico e histórico, porque as invasões não se dão de hoje para amanhã, e a maioria delas é incentivada. Mas temos que dizer que hoje em dia, pelos erros do passado não podemos continuar errando, não podemos perder o caminho e nosso território, não podemos entregar nas mãos dos invasores aquilo que é nosso. Então a Prefeitura já passou do tempo de ter uma guarda municipal própria, para acompanhar as ações da Sedur, não só dependendo das polícias militar e civil, mas que se tenha igual a Salvador, uma guarda disciplinada, para que você possa fazer o ordenamento do solo em conjunto. Então é impossível que se chegue na entrada de Abrantes e tenha uma proliferação de barracas de frutas de uma ponta até a outra, os pedestres perdem a capacidade de andar na calçada, e parece que foi pavimentado para que eles utilizassem aquele pedaço de chão, que é nosso. Que se pegue esse pessoal, não se tire aleatoriamente, mas contemple com espaços para que eles possam fazer seus comércios, isso se chama ordenamento”, finalizou.

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