Com o objetivo de abordar a importância de combater o preconceito contra pessoas com Transtorno Espectro Autista (TEA), debater políticas públicas de inclusão e garantias de direitos, foi realizada na manhã da última quarta-feira (05/04), na Câmara Municipal de Camaçari, uma Audiência Pública em alusão ao Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. A atividade, que trouxe como tema ‘Superando seus limites’, foi marcada por fortes depoimentos, apresentação musical e homenagens.
O presidente da Comissão de Saúde e Assistência Social da Câmara, vereador Dedel Reis (Republicanos) assumiu a condução dos trabalhos. O parlamentar, que tem um filho autista, falou da importância da participação de todos no combate à discriminação e o preconceito. “Nossa posição é de incluir e chamar a reponsabilidade para a sociedade, e não crucificar de forma nenhuma instituição e pessoas, assim nós vamos nos tornar de fato pessoas inclusivas, quando assumimos responsabilidade social. Conclamo que todos participem dessa grande batalha que começou há muito tempo. Defendemos a bandeira do autismo por estar no mês de conscientização da causa, mas não podemos ser uma sociedade que não ajuda, que não incentiva, que não procura cuidar das pessoas”, ressaltou.
O primeiro palestrante foi o administrador e ativista da causa, Moisés Andrade, que discorreu sobre a aceitação dos pais na descoberta do autismo. “Tenho um filho autismo e passei muito tempo negando a realidade, sem aceitar a situação. Isso por conta de uma sociedade que não sabe lidar com as diferenças e espalha preconceitos. Foi então que percebi a importância do meu papel para oferecer melhores condições de desenvolvimento para meu filho. A gente precisa entender que autismo não é uma doença, é apenas uma diferença. E essas pessoas precisam ser inseridas de maneira respeitosa na sociedade”, relatou.
O atendimento ofertado no Centro Especializado de Reabilitação (CER II), que trabalha a reabilitação física e intelectual, foi pautado pela fisioterapeuta Rafaela Ferreira. “Nós passamos por ampliação de equipe, ampliação de olhar, que exigiu capacitação diferenciada para atender essas pessoas. Hoje temos 50% do nosso público atendido com suspeita ou diagnóstico fechado de TEA. Por aí vemos o tamanho do desafio que não é só nosso, é mundial, diante das taxas de prevalência de TEA no mundo. E vemos no dia a dia que nem a rede privada consegue hoje dar conta dessa demanda”, explicou.
Na oportunidade, a representante do Grupo de Pais de Autistas de Camaçari, Liana Farias, pontuou que muitas famílias estão em um cadastro de espera, para terem acesso ao serviço prestado pelo CER II. “A fila para atendimento na unidade está enorme. Tem muitas crianças aguardando há muito tempo para um diagnóstico e precisamos acelerar esse serviço, pois o município não está conseguindo dar conta da nossa demanda que é urgente”, disse.
A palavra foi aberta para a plenária, a integrante do grupo Família de Autista de Camaçari, Monique Evans, que tem uma criança de 7 anos com autismo, salientou a importância da Audiência e aproveitou para convidar a todos para um evento de conscientização. “Esse dia para a gente é muito importante porque é fundamental conscientizar a sociedade sobre o autismo, trazer informação sobre políticas públicas para as nossas crianças. Dia 15 de abril vamos fazer a nossa segunda caminhada de conscientização da Praça Desembargador até a Praça Abrantes, para que as pessoas saibam que autismo não é uma doença, é uma condição, e que é preciso incluir essas crianças na sociedade, que infelizmente ainda é muito preconceituosa”.

A neuropsicóloga Diana Assis, chamou a atenção para o adoecimento das mães de crianças com TEA. “Estou aqui representando a voz de muitas mães que eu tenho assistido aqui em Camaçari. Mães que são anônimas, mas que como profissional da área de saúde, é difícil ver de perto mães ficando doentes, isso são dados crescentes. Me sinto impotente por não poder contemplar mais mães. Essas mulheres que estão com suas crianças, subindo e descendo para algumas instituições, não têm vagas. E não temos como abranger mais”, desabafou.

O senhor Alan Alencar, que não tem autista na família, mas é um estudioso da causa, chamou a atenção para o número de vereadores na Casa durante a Audiência. “É importante trazer para a sociedade, para o âmbito político, que as autoridades políticas se envolvam mais com essa causa, e que busquem investimentos não somente do município de Camaçari, mas do estado e federal. E chamo a atenção que menos de 27% do parlamento estava presente em uma audiência de tamanha importância’.

Os discursos foram encerrados com a fala dos parlamentares, dentre eles o vereador Gilvan Souza (PSDB), pai de um jovem com autismo. “Essa Casa promove cotidianamente o debate sobre a garantia e promoção dos diretos das pessoas com deficiência. Aqui nossa discussão é promover meios que facilitem o desenvolvimento das pessoas para sua inclusão plena na sociedade. E a gente entende que essa inclusão plena não passa se não for inserido no projeto pedagógico de nossa cidade. Sendo assim a gente precisa dizer que o fechamento da Ford, que na pandemia aconteceu o fechamento de tantos outros negócios no município, nós saímos de 253 alunos com algum tipo de deficiência, para 720 em um ano e meio”, chamou a atenção.







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