O Dia da Consciência Negra, celebrado oficialmente em 20 de novembro, foi lembrado pela Câmara de Vereadores de Camaçari, através de uma sessão especial, realizada na manhã desta terça-feira (29/11). A atividade foi marcada por palestras, homenagens, apresentações de voz e violão, grupos culturais e banda de percussão.
O presidente em exercício foi o vereador Ivandel Pires (Cidadania), autor da indicação que resultou na sessão. “Sabemos a dificuldade que uma pessoa de tom de pele um pouco mais escuro tem no nosso cotidiano, e no nosso desempenho até profissional, e eu quero provar a vocês que isso já está quase zerado em nosso país, e temos que tentar chegar aos 100%. Só para se ter uma ideia, em 2012 em Camaçari, 80% da população se declarou negra ou parda, ou seja, não existe mais esse aspecto de racismo dentro de nossa cidade, mas cabe a cada um de nós pontuarmos isso no nosso dia a dia. Não existe lugar de trabalho só para branco, não existe lugar na saúde só para branco. Hoje temos aqui advogados, médicos, engenheiros, autoridades religiosas e vereadores de todos os tons de pele, agora cabe você colocar em seu peito que você não é racista, e que Deus não enxerga ninguém por fora”.
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O tema Educação Antirracista foi destacado na palestra do pastor Gilberto Cruz, membro da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB Camaçari. “Para termos uma pequena ideia, quando no ano de 1996 foi lançada Lei 9394, conhecida como LDB, em momento nenhum ela se preocupou com a educação antirracista, veio ter somente alguma importância quando foi pensada a Lei 10639, em 2006, que passou a tratar o tema com alguma precisão, alguma legitimidade. E só veio se efetivar realmente com a Lei 1288, de 2010, que conhecemos como Instituto da Igualdade Racial. Foi a partir desse momento que nós pudemos ter a ideia de que era necessário buscarmos formas de incluir nos livros didáticos, oriundos de quando o nosso país vivia uma ditadura militar, que precisávamos descontruir o que estava construído, onde os heróis são brancos e os alunos do ensino médio não se identificam”.

O presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (ABRACRIM), Fernando Santos, falou sobre a falta de acolhimento do sistema com pessoas negras. “O estado brasileiro não está estruturalmente preparado e edificado para acolher a população negra, isso não existe, isso é uma mentira. Porém a nossa história, é uma história constante de resistência, de construção e de enfrentamento, e quando falamos da educação antirracista estamos falando da importância de um patamar metodológico, para que os poderes públicos e a entidades privadas, possam desenvolver essa atividade, e fazer esse resgate, esse processo de compreensão para que isso possa incidir diretamente nas instituições”, explicou.
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A gerente de Comunidades Tradicionais, da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) de Camaçari, Rose Braga, destacou um projeto voltado para escolas da rede pública de ensino, sobre o pertencimento identitário e cultura afrodescendente. "Nós desenvolvemos esse projeto na intenção de buscarmos mecanismos de levar para a educação em nossa cidade a verdadeira história, porque a nós foi nos negado a nossa verdadeira história, não nos ensinaram que somos descendentes não só de negros que foram escravizados, mas sim de reis e rainhas, somos descentes de um povo que tem uma identidade forte e de uma inteligência acima daquilo que nos foi ensinado. Nós negros quando viemos sequestrados de África, nós que construímos toda identidade histórica, da nossa cultura, da nossa culinária, da nossa arquitetura. Quem nos escravizou sabia do nosso potencial, que a gente entendia de agricultura, de arquitetura, de astrologia, de todas as ciências que existe no planeta”.
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Por meio da entrega da Medalha Zumbi dos Palmares, figuras do município envolvidas com questões raciais foram homenageadas. O Mestre Bule Bule foi homenageado pelo vereador Ivandel Pires, o decorador Aldemario de Araújo Alexandrinho recebeu a honraria do vereador Tagner Cerqueira (PT), a professora Ângela Maria Santos foi a homenageada do vereador Jamessom (União Brasil), e o vereador Gilvan Souza (PSDB), homenageou o mestre de capoeira Alan Cordeiro dos Santos.





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