Entre no
nosso grupo!
WhatsApp
  RSS
  Whatsapp
Traduzir:

Dados pós eleitorais

Compartilhar com UTM
Link copiado! Agora você pode colar o link com UTM no seu Instagram.

Passado o pleito eleitoral majoritário, no Brasil – primeiro e segundo turno -, profissionais multidisciplinares que se dedicam a analisar números que manifestam a motivação, vontade e escolha do sufrágio para os candidatos concorrentes. No caso o vencedor Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e derrotado Jair Bolsonaro (PL).

Durante o período de campanha os principais institutos de pesquisas apontavam vantagem significativa para o petista entre os que recebiam ou tinham renda entre um a dois salários mínimos, denominados com classe D/E com perda, também significativa, entre os que possuíam de dois a cinco salários – classe C.  Análise do resultado da eleição de 30 de outubro sugere que a classe C foi crucial para a votação expressiva de Bolsonaro, que acabou perdendo para Lula por apenas 2,1 milhões de votos, margem mais apertada em pleitos presidenciais desde a redemocratização sequenciado pela disputa entre Dilma (PT) e Aécio Neves (PSDB).  O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda lembra que o total de votos em Bolsonaro em 2022 (49,1%) foi muito próximo ao obtido por Aécio Neves em 2014 (48,4%). Segundo ele, os eleitores já vinham se deslocando para a direita desde as eleições para prefeitos e vereadores de 2012. Apesar da vitória apertada da petista Dilma Rousseff contra Aécio em 2014 (com vantagem de 3,4 milhões de votos), o Congresso eleito à época já reforçara esse perfil.

Pesquisa Datafolha na véspera do segundo turno 2022 indicava que a maioria (51%) dos eleitores com renda familiar entre 2 e 5 salários mínimos votariam em Bolsonaro (ante 42% em Lula). A grande maioria desses eleitores pesquisados pertencia à classe C, segundo critério da consultoria Plano CDE, que estabelece renda familiar entre R$ 2.030 e R$ 6.125 para esse grupo. Já o petista tinha 55% das preferências entre famílias com renda até dois salários mínimos --em sua maioria membros da classe D/E, segundo critério da Plano CDE (renda abaixo de R$ 2.030).

A pesquisa de Orçamento Familiar – POF/IBGE Outubro 2022 – indica que a classe C é a mais numerosa no Brasil, com 95,6 milhões de pessoas. A classe D/E agrega outros 70,5 milhões e a A/B, 46,4 milhões, segundo a Plano CDE. Especialistas em classes sociais e em ciência política dizem que é possível inferir que membros da classe C demonstraram maior preferência por Bolsonaro por conta de seu discurso pró-empreendedorismo e defesa de um Estado que interfira menos na vida das pessoas. mostram que, na classe C, 60% dos trabalhadores têm renda variável, com predominância na informalidade. O discurso do presidente por um Estado que não deve atrapalhar tem mais aderência, uma vez que, eles acreditam em progredir mais por méritos próprios", afirma Maurício de Almeida Prado, antropólogo e diretor-executivo da Plano CDE. Mais ainda, pesquisas qualitativas revelam que esse segmento tem um discurso mais individualista, e guarda um sentimento de insatisfação alimentado pela combinação de crise econômica no biênio 2015-2016, baixo crescimento desde então e escândalos de corrupção nos governos do PT. Ironicamente, foi nos anos Lula (2003-2010) que a classe C expandiu-se rapidamente. Segundo dados da FGV Social daquele período, quanto mais pobre, maior foi o aumento na renda, o que contribuiu para a travessia de muitos brasileiros da classe D/E para a C. Em 2010, a estimativa era que 25 milhões de pessoas haviam feito esse percurso.

Em 2022, 28,8% dos domicílios fazem parte da classe C, ante 32,6% em 2012. Na contramão, a classe D/E aumentou de 48,7% dos domicílios para 55,4% -levando, inclusive, ao aumento da taxa de brasileiros na extrema pobreza.

Ao contrário da classe D/E, que sempre dependeu de serviços públicos e é, ao menos em sua base, atendida por programas sociais, a classe C vem perdendo renda e se precarizando há dez anos -ficando cada vez mais distante, por exemplo, de planos de saúde e escolas particulares. "Há um forte sentimento de frustração nesse segmento", diz Mauricio Prado.

Para Rafael Cortez, cientista político da Tendências, o aumento da informalidade no Brasil (40% dos trabalhadores hoje) também reforça o sentimento pró-livre iniciativa de eleitores mais à direita, que acabam vendo o Estado como um empecilho burocrático e cobrador de impostos. "Esse componente, que já era estrutural, acabou se tornando também conjuntural com a pandemia, e foi muito bem explorado por Bolsonaro”

Que DEUS e os Orixás nos protejam.

Adelmo Borges

Por: Adelmo Borges

Mais em Adelmo Borges

Notificação de Nova Postagem
Imagem