Ao se aproximar dos últimos quinze dias para a decisão, em segundo turno, das eleições majoritárias no Brasil o que se observa é o reflexo do processo de rejeição dos candidatos à presidência da república, induzindo a um aprofundamento da desqualificação entre os concorrentes, levando ao eleitor a opção entre os menos pior. Tanto Jair Bolsonaro (PL) quanto Luiz Inácio da Silva (PT) são nomes com imensa história política no país. Ambos com atividades por mais de 40 anos. Um tendo sido eleito seis vezes cargo legislativo e desde 2019 exercendo a presidência da republica e o outro por iniciar suas atividades no movimento sindical, ter exercido por duas vezes cargo legislativo e por duas vezes a chefia do poder executivo. Ambos conhecido e figuras com muita popularidade nas suas faixas de aceitação ideológica. Assim, era de se esperar um amplo debate das questões econômica e social da nação brasileira.
Jair Bolsonaro representando o ideário nacionalista e da preservação da moral e de costumes tradicionais da casta conservador faz opção restringir direitos ao extrato minoritário da sociedade (mulheres, negros, exercício laico religioso, opção sexual, oportunidade educacional, etc.) por um estado mínimo. O petista Luiz Inácio Lula da Silva por um desenvolvimento socio-econômico-cultural com oportunidades igualitária para o acesso à educação e qualificação profissional como indução ao mercado de trabalho com salários compatíveis com as necessidades de consumo, proteção social à população vulnerável das periferias dos centros urbanos e do interior, liberdade ao exercício de religião e crenças, assim como livre opção sexual. Como fatores que beneficiam Lula, de Souza avalia que o candidato do PT conseguiu romper uma barreira ideológica ao conseguir apoios de figuras consideradas da centro-direita.
"Nomes como Simone Tebet e Fernando Henrique Cardoso, que não votaram no PT, isso é uma novidade no quadro político. Já os apoios que o Bolsonaro recebeu até agora são mais do mesmo. Não há ninguém que entrou no palanque que possamos dizer 'esse eu não esperava'."
A diferença de votos entre Bolsonaro e Lula foi de 6,2 milhões no primeiro turno.
Para conseguir o que seria uma virada inédita no segundo turno, Bolsonaro precisa aumentar sua votação — atraindo votos de eleitores que optaram por outros candidatos (como Ciro Gomes e Simone Tebet), dos que não votaram no primeiro turno e também de eleitores que votaram em Lula.
No contexto, o que se observa é o exercício da pratica de comprometimento de setores respeitáveis da sociedade, a exemplo das forças armadas, da justiça, do congresso nacional, do aparato policial, de seguimentos religiosos como braço auxiliar de um projeto político. Instituições com distintos objetivos consignados no blocado Constitucional e nas leis vigentes.
Para o cientista político Creomar de Souza, fundador da consultoria política Dharma, que analisa risco político, o segundo turno das eleições presidenciais entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro (PL), que acontecerá no dia 30 de outubro, pode ter margem apertada, se tornando uma disputa "decidida no detalhe".
Com o país fortemente dividido em suas preferências políticas e uma diferença pequena no resultado do primeiro turno (de pouco mais de cinco pontos percentuais), a menor margem histórica entre dois candidatos à presidência que foram para 2º turno, o cenário não parece imutável na percepção do cientista, deixando espaço para uma possível virada inédita em eleições brasileiras.
"Não se pode desprezar a capacidade do bolsonarismo de comparecer no dia 30 de outubro e nem o interesse do presidente da República usar a máquina pública para fazer campanha. Também não se pode ignorar o interesse de forças políticas que hoje apoiam o presidente da República de criarem 'bondades' [anúncios de políticas públicas voltadas à conquista de eleitores] diversas nessas próximas semanas para que eles tenham resultados favoráveis a eles", disse de Souza, que também é professor na Fundação Dom Cabral.
Que DEUS e os Orixás nos protejam
Adelmo Borges





Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Comentar