“Fila da morte”, assim é conhecida a fila de espera por uma transferência das unidades de saúde municipais da Bahia, para um hospital público ou conveniado com o estado. Na noite da última segunda-feira (09/05), mais um paciente internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Dr. Artur Sampaio, em Vila de Abrantes, não resistiu a demora da regulação e veio a óbito.
Dona Valdira dos Santos deu entrada no PA do distrito na quinta-feira (05/05), com um quadro de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e após atendimento dos profissionais da unidade, foi confirmada a necessidade de transferência para um hospital mais equipado. Após quatro dias aguardado uma vaga de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a senhora não resistiu e faleceu.
Em menos de um mês, esse é o segundo paciente que morre no PA de Abrantes esperando a regulação. No dia 17 abril, o cadeirante Marcos Luiz Barbosa, 54 anos, foi internado com falta de ar e precisou ser intubado. Devido a gravidade de seu estado, ele chegou a ser regulado, mas a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) não encontrou uma vaga a tempo de salvar a sua vida. Marcos morreu na segunda-feira (18).
Durante a 10º Sessão Ordinária realizada nesta terça-feira (10), o caso virou pauta nos discursos dos vereadores de governo que criticaram a morosidade do estado. “Essa metodologia desse fluxo da regulação vem acontecendo de maneira equivocada. Quando nós tínhamos isso em um passado recente, mesmo não organizado quanto a gestão do estado pensa que está, você estava com as pessoas nos corredores, dentro de uma ambulância nos centros de referências, você tinha condições de atender os quadros graves com centro cirúrgico, UTI, com médico especialistas em cada caso, e hoje a porta é fechada. Chegando com um caso de emergência nos hospitais públicos estaduais, o paciente é devolvido para a unidade de saúde municipal para a partir daí serem regulados pelo estado, e isso não ocorre, é uma demanda reprimida muito grande. As vezes nos chega a informação que tem 30 a 35 mil pessoas sendo reguladas ao mesmo tempo”, explicou o vereador de Abrantes, Gilvan Souza (PSDB).
Dr. Samuka (UNIÃO Brasil) foi outro parlamentar que tratou do assunto na tribuna e se mostrou indignado com a situação, culpando o governador Rui Costa. “A regulação pra mim é conceituada como um sistema pelo qual o estado escolhe quem vive e quem morre. Eu não vi ainda um paciente que tenha dado entrada no PA de Abrantes e que foi para o respirador sair com vida, todos morreram esperando transferência. Eu pretendo conversar com o prefeito Elinaldo para tirar aquele respirador de lá porque é um instrumento que não serve, só serve para matar. Fico muito revoltado com essa questão, eu praticamente não dormi direito ontem. Desde a morte de seu Marcos, a população não entende que o vereador não tem essa competência de conseguir regular, acha que porque é vereador tem condições de mandar para o HGC, e não temos. Eu acionei vários administradores de hospitais, poucos responderam meu WhatsApp e os que respondeu me deram um gelo, falaram que infelizmente não poderiam fazer nada e que dependiam do sistema”, relatou.

O Portal ouviu também o vereador Dentinho do Sindicato (PT), que é pré-candidato a deputado estadual. O edis pontuou que também está preocupado com a situação da regulação. “Afinal de conta estamos lidando com vidas, com pessoas, com seus entes, então a gente precisa rever esse modelo de funcionamento, a Secretária de Saúde do estado precisa estar vendo qual é a saída para isso, porque de fato hoje em Monte Gordo já me ligaram umas três pessoas, levaram na tribuna a situação de Vila de Abrantes, e essas pessoas são próximas aos vereadores e cobram, mas o vereador não tem o poder para mudar isso. A gente aqui no município tem que fazer com que a meia culpa nos una para buscar uma saída de fato. O governador Rui Costa vem trabalhando pela Bahia toda, fez vários hospitais, e isso a gente não pode negar, mas precisamos ter um plano de ação para que as pessoas parem de sofrer com a regulação que nesse momento está errando de alguma forma, não está ajudando e as pessoas não podem esperar três, quatro, cinco dias para serem transferidas”, ressaltou.
Apesar dos discursos contra a atuação da regulação do estado, nenhuma pauta para tratar o assunto foi definida na sessão e anunciada.

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