Foi ao vivenciar a triste experiência de receber o diagnóstico de câncer (CA) através do resultado de um exame de biópsia, que a costureira Elisângela Oliveira teve a ideia de criar o projeto Peruca Solidária. A iniciativa é voltada para a arrecadação de mechas de cabelos, e posteriormente a produção de perucas, com a finalidade de trazer de volta a autoestima de mulheres que estão fazendo quimioterapia.
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Moradora de Camaçari, Elisângela antes de ser diagnosticada com CA, já era sensível ao estado emocional das mulheres que perdiam os cabelos durante o tratamento da doença. A costureira conta que deixava o seu crescer para cortar e doar ao Hospital Martagão Gesteira, em Salvador. “Ouvia sempre relatos de pacientes que era ruim passar pelo câncer, mas pior ainda é perder a autoestima, não se sentir bonita, não se sentir desejada. Quase sempre a mulher doente está em um relacionamento, em uma idade onde ela já é mãe, onde já tem um companheiro e muitos acabam se afastado. Então para a mulher se sentir bela, completa para vencer o câncer, as perucas nesses casos são muito importantes”, ressalta.
E com o objetivo de atrair mais pessoas para participar do projeto, através do Instituto Transformando Vidas, será realizado no dia 05 de maio um grande salão solidário na Praça Abrantes, onde profissionais da área de beleza, voluntariamente, vão atender gratuitamente mulheres e homens que desejam doar mechas de cabelo. “Lá vamos hidratar os cabelos, cortar e quem desejar pode finalizar com escova. Vamos ter também designers de sobrancelha, maquiadores, fisioterapeutas, massoterapeutas e oficinas diversas. Para as mamães que não têm com quem deixar os filhos teremos o espaço kids, com sete monitores, em um local seguro e fechado, onde vamos tomar conta das crianças para que elas fiquem à vontade. Além disso, promoveremos desfiles e ainda teremos atrações musicais e aula de zumba”, pontuou a idealizadora.
Essa é a terceira edição do projeto que já aconteceu em 2016 na Praça Desembargador Montenegro e em 2021 no bairro dos 46. “Com o apoio da Prefeitura Municipal vamos usar o espaço da biblioteca infantil e em frente armaremos quatro toldos. Nesse dia vamos aceitar tanto os cabelos que foram cortados em casa, como quem desejar cortar o cabelo lá na hora”, destaca Elisângela que conta com a parceria de alguns salões da cidade, que cortam de graça os cabelos de pessoas que desejam doar ao Peruca Solidária.
No dia do evento, está previsto também uma mostra fotográfica de mulheres que já se curaram ou estão em tratamento contra o câncer. Uma das “modelos” é a simpática e divertida, Leila Silva, que em 2021 foi diagnosticada com câncer. “Tomei um choque quando descobri. Senti uma dor, fui para a emergência, os médicos desconfiaram que era apêndice, fiz uma ressonância e o resultado foi um CA de ovário. No primeiro momento, não quis aceitar”, revela.
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Leila conta que ao perder os cabelos durante a quimioterapia, não teve coragem de enfrentar a sociedade no início. “Usei peruca por três meses, eu senti essa necessidade. Quando fiquei totalmente careca meu filho estranhou, então usei por ele também e por sentir minha cabeça desprotegida em alguns momentos”.
Vaidosa, Leila hoje não usa mais peruca, mas decidiu contar a sua história e incentivar as mulheres que passam pelo mesmo problema, a se cuidarem, se valorizarem e principalmente a se amarem. Em suas redes sociais ela participa de provadores de roupas de lojas da cidade, dar dicas diversas de coisas de casa, de moda, além de mostrar sua rotina em família, e as fases do tratamento.
Pós-campanha do dia 05 de maio
As perucas serão fabricadas em Camaçari, com o auxílio de uma profissional da área. “Eu, uma voluntária e meu marido [que sabe costurar] vamos confeccionar. Mas precisamos de muitos cabelos, porque para uma peruca muitas vezes são usadas de cinco a sete mechas doadas. A parte da moleira é feita fio a fio, a mão, para ficar o mais natural possível”, explica Elisângela.
Após a fabricação de uma boa quantidade de perucas, o projeto que está em parceria com o Centro de Oncologia de Camaçari (CEONC), vai fazer um cadastro de pacientes que passam por tratamento. “É um projeto sério e por isso a gente precisa da comprovação que de fato a pessoa está fazendo quimioterapia. Quero deixar esse projeto como um legado e por isso quero fazer de forma transparente”, exalta.
Durante todo o ano quem desejar doar mechas de cabelos pode ir no ateliê de Elisângela, que fica na Rua das Almas, nº 330, bairro dos 46.





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