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Camaçari

Gilberto Gil é imortalizado na Academia Brasileira de Letras

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 Reprodução Redes Sociais

Aos 79 anos, o baiano Gilberto Gil foi imortalizado na Academia Brasileira de Letras (ABL), em cerimônia realizada na noite da última sexta-feira (08/07), no Salão Nobre da ABL, no Rio de Janeiro. O momento contou com as presenças de familiares e amigos do músico.

Em 2021, Gilberto Gil recebeu 21 votos para integrar o grupo de acadêmicos. Das mãos da atriz Fernanda Montenegro o músico recebeu colar da Academia, já a espada foi entregue pelo escritor Arnaldo Niskier e o diploma pelo cineasta Cacá Diegues. 

Além de cantor, compositor instrumentista, Gilberto Gil também foi Ministro da Cultura. Ele é o segundo negro na composição atual dos imortais da ABL.

Em suas redes sociais ele agradeceu o título contando uma história sobre um fato de sua carreira. Leia na integra:

“Em maio de 1968, na capa do meu segundo LP, e já integrado à Tropicália, apareço envergando um fardão e usando pincenê. Ao recordar esse episódio escrevi um poema para este evento:

“Sempre houve críticas à Academia,

que a Casa de Machado não faria jus

ao sonho que sonhara ser um dia:

todos ali representados por alguns.

Tal ampla representatividade

sonhada por Nabuco e demais fundadores

jamais fora alcançada de verdade,

jamais todos os saberes e sabores.

Eu mesmo, nos meus tempos de aventuras,

cheguei a envergar um garboso fardão,

vestido então como ironia dura,

a fantasia pura da ilusão!

Juntava-me, naquele instante, aos muitos

que alfinetavam a Instituição

mal sabia eu quais os intuitos,

do destino astuto a interrogação.

Um amigo lembrou-me outro dia

que as ironias sempre trazem seu revés.

papéis trocados, eis aqui, vida vadia:

fardão custoso, bordado a ouro, vistoso,

me revestindo da cabeça aos pés”.

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