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Camaçari

CEVA se prepara para retorno das aulas presenciais e sonha com um prédio próprio

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Em entrevista ao Portal, a vice-diretora do Colégio Estadual de Vila de Abrantes (CEVA), falou dos desafios e projetos para o retorno das aulas presenciais na unidade escolar, a partir da próxima segunda-feira (16/08). São mais de 2 mil estudantes matriculados, que retomarão o ensino dentro de sala de aula, em dias alternados e separados por grupos.

Comprometida com a educação do CEVA, a vice-diretora Tereza Farias, contou ao site como está sendo feito o processo de planejamento para a retomada das aulas presenciais, iniciado em 26 de julho. “Na verdade já começamos a receber estudantes para entregar o fardamento junto com a máscara de proteção individual e os livros, durante a finalização da terceira unidade. Vamos voltar de forma bem organizada, com um calendário de séries especifico para cada dia e com palestras de orientações sobre o protocolos de biossegurança. A escola vem tomando cuidados desde a chegada na portaria a saída, com medição de temperatura, desinfecção das mãos com álcool em gel, colocamos pontos com dispensas com álcool em gel e marcamos também as cadeiras”, relatou.

Segundo a gestora, toda a equipe estava ansiosa e com expectativas positivas para a retomada, aguardando apenas os professores concluírem o ciclo vacinal com a segunda dose. “Vamos começar a quarta unidade com muita esperança que a pandemia está desacelerando, que estamos caminhando para ver uma luz no fim do túnel, e o direito de aprendizagem do estudante, que é o mais importante, passa a ser assegurado com maior eficiência. Sabemos que ficou de fora muita gente que não tem computador, internet e celular. Que por mais que as famílias tenham se esforçado, muitos estudantes não conseguiram acompanhar as aulas online, então retornar com as aulas presenciais é de fundamental importância para esse público”.

A pandemia trouxe muitas perdas e levou a vida de muitos familiares de estudantes e também dos profissionais da educação, por isso o retorno tem que ser pensando como um recomeço e com o sentimento de gratidão, segundo Tereza. “O primeiro passo é se enxergar como sobrevivente, pois eles vivenciaram o acontecimento mais importante do século 21, maior acontecimento histórico e catastrófico, com muitas perdas de vida, de condição material de sobrevivência por causa do desemprego, a perda de renda, e a perda na educação também foi muito grande. Não dá para colocar uma venda nos olhos e fingir que nada aconteceu. O espaço onde a educação precisa de fato acontecer é na escola, nada substitui a presença do professor dentro da sala de aula com seus alunos. A gente desenvolveu aulas remotas, utilizamos tecnologia digital, mas a gente sabe que a aprendizagem não é tão significativa quanto no espaço da escola, vamos tentar diminuir um pouco do prejuízo”.

Consciente que não será possível recuperar o tempo perdido, a gestora fala em “minimizar danos” e para isso foram incluídas algumas atividades extras. “Seria até hipócrita dizer que vamos recuperar um ano e meio perdido. Agradecemos por termos chegado até aqui vivos, e a nossa vontade é de superar obstáculos. Os nossos professores estão imbuídos nesse propósito, em trazer de volta aqueles estudantes que precisam de mais apoio. Voltamos com reforço escolar, monitoria, com aulas extras nos sábados para contribuir na aprendizagem de quem mais precisa. Então agora é olhar pra frente e enxergar que o que passou, passou.”

Sobre uma escuta acolhedora para os estudantes com problemas emocionais e psicológicos, que se agravaram com a pandemia, a gestora pontuou que a equipe do CEVA está atenta a essas demandas. “A gente vem de uma fase de dependência da família na infância, pré-adolescência e quando a gente pisa na juventude a nossa vida é interação. Então, esses jovens foram atravessados por essa falta de interação que a pandemia impôs a todo mundo, e nesse um ano e meio realizamos muitos encontros virtuais com psicólogos parceiros. Formamos uma rede de profissionais que ofereceram suas escutas acolhedoras, encaminhamos casos que identificamos mais críticos, uma iniciativa própria de nossa escola. Para isso realizamos lives com o tema ‘saúde mental’ e as ações vão continuar mesmo com o retorno das aulas presenciais”, destacou Tereza.

E tem novidade na grade curricular da escola, como conta a gestora. “Estamos incluindo o ‘Projeto de Vida’, ou seja, uma matéria com aulas semanais. Um espaço como se fosse o coração da escola, voltado para essa dimensão do sujeito, a sua subjetividade, suas questões pessoais do eu e seus planos futuros. Esse é o espaço onde o professor mais escuta do que fala. Na química, física, matemática por exemplo, o educador ensina, no Projeto de Vida a construção é partilhada”, exaltou.  

Uma outra questão abordada durante a entrevista é o fato do colégio estadual não ter uma sede própria e utilizar a estrutura cedida pela prefeitura, através de uma concessão municipal. “Poderíamos oferecer muito mais a nossa juventude. Poderíamos permitir que eles explorassem o máximo possível as suas capacidades e potencialidades, mas infelizmente na escola a gente se sente triste em não poder ofertar o melhor em função da estrutura física.  Nós temos uma equipe maravilhosa de profissionais, de professores, de estudantes brilhantes que veem para a escola com saberes e capacidades, que as vezes não conseguimos acolher porque não temos um espaço adequado para a prática esportiva e para iniciação cientifica. Temos 15 salas de aulas lotadas e quando tiramos essas salas e o pátio da escola, não temos mais nada a oferecer. Não temos um laboratório de ciência da natureza, não temos uma quadra para a prática esportiva, então entendemos que é muito legítima essa briga por um prédio escolar que de fato atenda aquilo que o jovem morador de Vila de Abrantes merece e precisa. Ficamos indignados de sermos o maior distrito da orla, com uma escola com dois mil jovens, adultos e idosos, e não fomos ainda contemplados com um prédio escolar que atenda as reais necessidades dos estudantes”, finalizou.

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