Através de uma Audiência Pública, realizada na manhã desta quinta-feira (20/05), na Câmara de Vereadores de Camaçari, foi discutida a situação do transporte público do município. Com o tema “Termos, possibilidades e condições para o bom funcionamento do transporte público”, a atividade contou com a participação de técnicos no assunto, autoridades de trânsito, representantes de empresas, de cooperativas, segmentos e usuários.
Com o objetivo de tratar dos problemas atuais enfrentados pelos usuários e a necessidade de adequação do transporte público em Camaçari, tendo como finalidade ofertar um serviço de qualidade à população, o vereador Jamessom (PSL), foi o primeiro a usar a tribuna. “Sem dúvida esse é o problema do século 21 da cidade, o transporte público. E aqui estão todos os autores possíveis da discussão para que saias encaminhamentos, para que as soluções cheguem efetivamente ao cliente que é a parte principal do serviço público. Nós temos um TAC que venceu em 2010, a prefeitura naquele momento não cumpriu com o TAC, as cooperativas cumpriam com 75% e por conta disso não tivemos a licitação em 2016, isso é o ponto principal a ser discutido aqui”, relatou.
O presidente dos Rodoviários de Salvador, Hélio Ferreira, destacou que o problema do transporte público não é exclusivo de Camaçari, mas afeta as grandes e médias cidades. “Através dessa audiência vocês vão construir um programa de mobilidade urbana para o município, pois acredito que no diálogo e no debate se acham soluções para esse problema emblemático, que não vai ser resolver se não tiver a mão do estado e para isso é preciso começar a pensar em subsídios, tarifas sociais, paras as pessoas que não têm condições de pagar o transporte público”.
Representando a União das Pessoas com Deficiência em Camaçari (UDEC), a cadeirante Telma Nascimento, desabafou sobre as dificuldades enfrentadas com o serviço. “Temos hoje deficientes com depressão profunda porque não conseguem sair de casa, por causa do transporte público, e quem se disponibilizou a sair foi humilhado e constrangido. Hoje a realidade que vivemos é uma situação que deve ser dialogada, respeitada e resolvida. Hoje moro em um bairro que tem dois anos sem transporte público, o Verdes Horizontes, e quando tinha as pessoas com deficiência não eram atendidas, porque dizem que a frota em 100% acessível, mas isso não procede”.
Falando em nome das cooperativas COOPOTRAC e COOASTAC, o senhor Eujácio Araújo agradeceu a oportunidade a Casa e defendeu as entidades. “Somos bastante atacados, mas hoje por causa dos ligeirinhos a gente coloca um ônibus para fazer um roteiro, cumprimos o horário, mas fica vazio e não vejo renda. Pagamos manutenção de carro, combustível e motorista. Só para sair um carro nosso da garagem é R$ 600 reais. Não sou contra a legalização do transporte clandestino, mas nós levamos todos os tipos de gratuidade como idosos e pessoas com deficiência, e o clandestino leva o pagante”.
Conhecido como Ninho do Ligeirinho, Anderson Carvalho representou o segmento e deu sua opinião sobre os resultados de uma licitação. “O fato de licitar o transporte, não diferencia Camaçari de outras cidades que já tiveram o transporte licitado, e que mesmo assim o índice de insatisfação dos usuários atinge 70%, que é o caso de Salvador com o Integra. As pessoas querem uma solução, e eu vejo que vai ser necessário criar um núcleo de trabalho”.
A plenária também teve oportunidade de fazer questionamentos, e como usuária do transporte da costa, Fabiana Franco expressou seu ponto de vista sobre o debate. “Presenciamos aqui o conflito muito grande, há quase uma década que a gente falava em fortalecer as empresas daqui, porque não faz sentido a gente trazer uma empresa de fora, em um momento como esse de desemprego que está aí. Esse é o momento de chamarmos todos os autores e atrizes da sociedade, chamar a ponta que é quem precisa, porque não dar mais o morador da orla gastar duas horas para chegar na sede, não dar mais para em um final de semana as pessoas quererem ir na praia e não conseguirem”.

Os parlamentares também usaram a tribuna e a Câmara mediante todo debate vai encaminhar um documento a Superintendência de Trânsito e Transporte Público (STT) de Camaçari, para a construção de um modelo de serviço que atenda a todos.
*TAC (Termo de Ajustamento de Conduta)






Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Comentar