Marcelo Macedo, de 33 anos, que levou quatro tiros em um bar de Camaçari, por incomodar um grupo de rapazes, pelo simples fato de demonstrar carinho pelo seu paquera, escreveu um desabafo nas suas redes sociais e relatou que teme pela segurança de sua família. A vítima se recupera de cirurgias no Hospital Geral de Camaçari, já que os tiros atingiram o braço e a região do abdômen.
O caso está sendo investigado pela 18º Delegacia Territorial (DT) de Camaçari, que através das imagens das câmaras de segurança do bar, onde ocorreu o crime, ajudou na identificação dos acusados de balear e agredir Marcelo e o companheiro. Eles já prestaram depoimento e foram liberados.
Segundo informações, divulgadas em sites de notícia do estado, um dos envolvidos é um policial militar. A identidade e a imagem dos homens não foram divulgadas com a justificativa que atrapalharia nas investigações e justamente essa foi uma das reclamações de Marcelo em seu texto, que se diz “vulnerável”.
Nas redes sociais de amigos de Marcelo e de internautas em geral que se sensibilizaram com o ocorrido, eles cobram justiça e que os envolvidos no crime de homofobia paguem pelo que fizeram. Algumas pessoas acusam a PM de proteger o atirador por se tratar de um policial.
Texto de Marcelo na íntegra:
Vivi um verdadeiro filme de terror nos últimos dias. Por isso quero iniciar agradecendo todos os meus amigos por me carregarem no colo. É difícil acreditar que as pessoas são agredidas tão cruelmente e de maneira tão covarde pelo simples fato de demonstrar afeto. É triste. Dói. Estou despedaçado. Eu amo a minha cidade, nasci e me criei aqui. Nem no meu pior pesadelo eu imaginei que um dia pudesse ser tão violentado. Ver a morte de perto é assustador. Nos paralisa. Sou jovem, tenho uma família, uma vida inteira pela frente e por um milagre de Deus hoje estou vivo, mas quase tive meus sonhos interrompidos de maneira tão vil. O que me dá força para escrever pra vocês é a gratidão pelos meus amigos, sem eles e sem a todos que me mandaram mensagens de carinho e afeto, não sei se conseguiria. Mas o que me encoraja também é o medo. Só quem já perdeu um familiar ou um amigo conhece essa dor, só quem já esteve de cara com a morte sabe o que estou falando e pode mensurar um pouco do que estou sentindo agora.
Dormi e acordei em uma cama de hospital, e só sabia chorar, achei que tivesse morto e desfrutava do paraíso. Não lembrava de muita coisa. Ao abrir os olhos e me dar conta do que estava acontecendo, entrei em estado de choque, mas por incrível que pareça, o hospital é o meu lar agora, é o lugar onde me sinto seguro, protegido, em paz. Não sei como será quando sair daqui. Temo pelos meus familiares. Estamos assustados em saber que quem atentou contra a minha vida está solto por aí, sua cara não está estampada em todos os jornais estando tão vulnerável como eu me encontro agora, botando a cabeça no travesseiro deitado na cama da sua casa e dormindo todos os dias tranquilamente. Me chamar de “Viado” não é ofensa. Tomar 4 tiros sim. Uma dor irreparável, além de física, emocional e psicológica. Não sei como será de agora em diante, não sei se serei mais o mesmo. Esse medo que estou sentindo, irei carregar até o fim dos meus dias. Só peço proteção para mim e toda a minha família. Orem por mim!





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