Um incêndio destruiu o Museu Nacional no Rio de Janeiro, que abriga cerca de 20 milhões de peças históricas e que neste ano comemorou 200 anos de existência. As chamas começaram por volta das 19h30 quando o museu já estava fechado ao público e havia apenas quatro seguranças em seu interior. No entanto, de acordo com as informações fornecidas pelo próprio Museu, não há feridos, uma vez que todos conseguiram sair a tempo.
Segundo pôde constatar a Agência Efe no local, o Corpo de Bombeiros ainda estava trabalhando para tentar conter o fogo por volta de 1h, embora as chamas reacendessem às vezes, concentradas neste horário na parte de trás do edifício. As causas que originaram o incêndio ainda são desconhecidas, informaram as autoridades. O ex-diretor do Museu Nacional, José Perez Pombal, que está no local do evento, enviou um áudio à Agência Efe no qual afirmou que "não vai sobrar nada".
"Não haverá mais nada, as chamas são tão altas e o fogo está em toda parte, o prédio vai queimar todo e também as coleções, as múmias, tudo", disse Pombal. "Acabou, não sei se a instituição continuará a existir depois disso", concluiu. O vice-diretor da instituição, Luís Fernando Duarte, denunciou que a "falta de apoio e a falta de consciência" do poder público levaram a essa "situação trágica". "Nós lutamos anos atrás, em diferentes governos, para obter recursos para preservar adequadamente tudo o que foi destruído hoje", disse Duarte à imprensa.
O presidente Michel Temer lamentou em comunicado oficial o incidente, que descreveu como "um dia trágico para a Museologia" do país. "Incalculável para o Brasil a perda da coleção do Museu Nacional, porque foram perdidos 200 anos de trabalho, pesquisa e conhecimento", expressou Temer. "É um dia triste para todos os brasileiros", acrescentou.
O Ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão disse que é um "dia de luto" e que a situação "lamentável", mas que a tragédia é resultado de "anos de negligência". "Que isso sirva de alerta para que tragédias como essa não se repitam em outros museus e outras instituições", disse o ministro à imprensa. O Museu Nacional do Rio de Janeiro, criado por D. João VI em 6 de Junho de 1818, é considerado o quinto maior do mundo em relação a acervo e inclui coleções científicas, de fósseis de animais, utensílios indígenas, múmias, entre outros itens. Um dos destaques era o crânio "do primeiro americano", apelidado de "Luzia", uma mulher que viveu no atual território do país por volta de 11.500 anos atrás e que é o fóssil mais antigo da América Latina.
EFE





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