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Morre o dramaturgo, diretor, ator e escritor João das Neves

O artista ganhou prêmios diversos como o Molière, Bienal Internacional de São Paulo

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Morreu nesta sexta-feira (24), o dramaturgo, diretor, ator e escritor João das Neves, um dos maiores nomes do teatro brasileiro.  Ele faleceu em casa, em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. João era natural do Rio de Janeiro, tinha 84 anos e foi também diretor do Centros Populares de Cultura (CPC).

Neves deixa duas filhas: Maria João, de 29 anos, com uma ex-companheira, e Maria Iris, de 17, com a cantora Titane, com quem era casado. O dramaturgo morreu de metástase óssea. O velório acontece na tarde desta sexta e a cerimônia de cremação será às 16h no Cemitério Parque da Colina, Região Oeste de Belo Horizonte.

O artista ganhou prêmios diversos como o Molière, Bienal Internacional de São Paulo, Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Golfinho de Ouro e Quadrienal de Praga.

Ele estreou em 1964 com o Grupo Opinião o espetáculo "Show Opinião", reunindo no palco, em um protesto contra a ditadura, Nara Leão, Zé Keti e João do Vale.

Nos Anos de Chumbo, período de muita resistência do teatro brasileiro, a obra do João era concebida em um período de grande investigação e busca por novos modelos dramatúrgicos para flagrar a realidade instaurada pelo regime militar.

Fez teatro de rua com o CPC, do qual fez parte e, com o Grupo Opinião participou de uma série de montagens em teatros de arena. Foi neste período que apresentou sua primeira ruptura com o espaço cênico tradicional.

Quebrou o teatro por dentro ao criar para o espetáculo “O Último Carro” uma arena invertida em que a ação se desenvolve em volta do público que é deslocado para o centro da arena e fica inserido na ação. Em cartaz por cerca de dois anos, no Rio de Janeiro e em São Paulo, “O Último Carro” foi assistido por mais de 200 mil pessoas, tendo rendido inúmeros prêmios a João das Neves, como o Prêmio “Arte não catalogada” na 14ª Bienal de São Paulo.

O período em que esteve à frente do Grupo Opinião é marcado também por peças como “O Quintal” em que problematiza o golpe militar de 1964 e a atuação de três importantes polos das esquerdas nesse período: o CPC, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a União Nacional dos Estudantes (UNE); “Mural Mulher”, em que João escreve sua dramaturgia a partir de entrevistas com mulheres de diferentes classes sociais e profissionais, apresentando a condição das mulheres brasileiras no período; “A pandorga e a lei” em que denuncia a tortura; e “Café da Manhã” que apesar de mais intimista transmite o clima de tensão de um país submetido à severa ditadura militar. João das Neves somente encerrou as atividades do Grupo Opinião com o fim da ditadura no Brasil, cumprindo o propósito do Grupo de resistir a este sistema.

Findado este ciclo João das Neves se muda para o Acre, onde mergulha no contexto da floresta amazônica e realiza um trabalho com atores não profissionais que gerou o espetáculo “Caderno de Acontecimentos” e resultou na criação do Grupo Poronga.

Posteriormente, escreve e dirige o espetáculo “Tributo a Chico Mendes” em que leva ao palco os conflitos e contradições resultantes do choque de costumes entre índios e seringueiros de um lado e latifundiários e governo, de outro. “Yuraiá – O Rio do Nosso Corpo” é sua última peça escrita no Acre, ainda inédita, e que retrata a saga do povo Kaxinawá que, iniciada na cidade de Rio Branco, sua capital, ganha corpo nos seringais e tem seu auge nas regiões mais afastadas da floresta amazônica, onde vive este povo contatado há mais de cem anos pelos brancos.

Por: Portal Abrantes

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