A ministra de Relações Exteriores da Colômbia, María Angela Holguín, disse hoje (9) que seu governo está disposto a conversar com a Venezuela sobre a crise fronteiriça, mas considerou que “agora as circunstâncias estão um pouco complicadas”. Ela deu as declarações após reunião com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, na sede em Nova York.
No dia 20 de agosto, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fechou a fronteira com a Colômbia, depois que um civil e três militares venezuelanos foram feridos em uma emboscada. Desde o fechamento da fronteira, segundo uma missão das Nações Unidas, mais de 1,1 mil colombianos foram repatriados e mais de 10 mil abandonaram a Venezuela voluntariamente.
Os militares venezuelanos foram baleados enquanto patrulhavam a fronteira do estado de Táchira, na tentativa de evitar o contrabando de gasolina e alimentos subsidiados para a Colômbia, onde são vendidos a preços mais altos.
Maduro atribuiu o ataque às “máfias paramilitares colombianas” e, além de fechar a fronteira, decretou estado de exceção constitucional em seis municípios. Ele enviou 1,5 mil soldados à região para “restabelecer a ordem, a paz e a convivência”.
Ontem (8), Maduro anunciou que determinou o fechamento de mais uma área de fronteira com a Colômbia e o envio de 3 mil soldados das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas para reforçar a segurança. "Decidi decretar o estado de exceção para proteger o povo nos municípios de Guajira, Mara e Almirante Padilla."
A ministra colombiana reuniu-se com Ban Ki-moon para discutir a situação na fronteira e sobre os colombianos que foram deportados ou que fugiram do território venezuelano.
Segundo María Angela, o encontro com o secretário-geral da ONU foi positivo. Ela disse que Ban já tratou do assunto com Maduro e ele informou que voltará a conversar com a Venezuela sobre o conflito.
Também ontem, Nicolás Maduro reiterou sua disposição para o diálogo com o governo de Juan Manuel Santos. “Que possamos restituir as relações de diálogo, respeito, convivência e coexistência. Estendo minha mão para restituir um diálogo de respeito entre os dois chefes de Estado sem condições”, afirmou Maduro no Palácio de Miraflores, em Caracas.
O presidente venezuelano disse ter aceitado a mediação oferecida pelos governos de Brasil e Argentina, assim como a do presidente uruguaio Tabaré Vázquez para resolver a crise na fronteira. “Aceito toda tipo de ajuda. Esta mão está pronta para apertar a do presidente Santos e sentarmos para trabalhar”, acrescentou Maduro.
Semana passada, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, visitou Colômbia e Venezuela para ajudar no diálogo entre os países. A iniciativa foi da presidenta Dilma Rousseff. O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, acompanhou Vieira na viagem. De acordo com o Itamaraty, o objetivo da missão foi “oferecer os bons ofícios para ajudar na comunicação entre as partes”.
O presidente colombiano informou ter recebido uma ligação de Tabaré Vázquez, que também se ofereceu para facilitar o diálogo entre os dois países vizinhos.





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